<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969</id><updated>2011-11-22T16:18:39.659-02:00</updated><title type='text'>Anonimato S/A</title><subtitle type='html'>histórias de quem não entra para a história</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>19</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-1930918502107217651</id><published>2009-05-12T22:45:00.065-03:00</published><updated>2010-08-19T15:30:44.762-03:00</updated><title type='text'>Agô, o predestinado</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: verdana; text-align: left;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sgrupo7mLQI/AAAAAAAAA08/-WmVdiYGuhY/s1600-h/Ago1,1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335339107703205122" style="float: left; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 400px; height: 300px;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sgrupo7mLQI/AAAAAAAAA08/-WmVdiYGuhY/s400/Ago1,1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;" &gt;De dentro do útero para dentro de uma caixa de papelão, nas ruas de Ribeirão Pires, região do Grande ABC. Depois, para a casa de Cida e, finalmente, para os braços de Daniele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Ele não é patrocinado por uma fabricante de material esportivo, não faz comerciais de cerveja e não atrai paparazzi, mas sem sombra de dúvida, é um fenômeno capaz até mesmo de superar o humor negro que originou o próprio nome. “Quem o encontrou nos disse que ele estava agonizando, repetia muito isso. Daí, resolvemos colocar o nome nele de Agô”, conta Aline Cristina, técnica veterinária e funcionária do Clube dos Vira-Latas, a Organização Não Governamental (ONG) para a qual foi levado.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Desde a salvação, Agô já demonstrava ter nascido com o rabo longilíneo virado para a lua. Coube à protetora de animais Cláudia São Bernardo, conhecida pela habilidade de sempre cruzar com cães da raça São Bernardo abandonados, topar com o SRD caramelo, acompanhado de duas irmãzinhas, uma delas já sem vida.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Aos recém-iniciados no universo dos cachorros de rua, SRD é a sigla para sem raça definida, termo politicamente correto usado para designar o bom e velho vira-lata.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Logo que chegaram ao Clube, com aproximadamente 20 dias de vida, os dois membros remanescentes da família Agô foram diagnosticados com cinomose, virose que ataca principalmente o sistema nervoso e costuma ser fatal. A maior parte dos animais sobreviventes sofre com sequelas como paralisa nas patas. Após dois dias, apenas ele resistiu, tratado à base de mamadeira e papinha. A única lembrança da enfermidade é uma leve fisgada na pata dianteira da frente, espécie de tique nervoso, quase imperceptível.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Além de refúgio para cerca de 350 cachorros, o Clube dos Vira-Latas é a residência de Cida Lellis, presidente da entidade. Há quatro anos ela trocou a casa onde morava por uma chácara de quase 400 m², em um município na região metropolitana de São Paulo. No local que prefere não divulgar para evitar uma leva de abandonos diante do portão, vive cercada por árvores e conta com seis funcionários para manutenção e um veterinário. Solteira e sem filhos, a professora aposentada optou por se dedicar exclusivamente a cuidar de bichos. Sorte do então novo hóspede, recolhido à cozinha para evitar a contaminação dos demais animais.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;No primeiro sábado de maio, dentro de uma bolsinha, Agô embarcou em um Táxi Dog, no colo de Aline, rumo à feira inaugural de animais deficientes promovida pela ONG Sava (Solidariedade à Vida Animal). A organização funciona como uma espécie de central responsável por convocar a rede de parceiros para as feiras e mutirões de castração.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;O jovem de dois meses não seguiu sozinho. Teve a companhia de Lúcio, um companheiro marrom claro, vítima de um atropelamento na avenida Jabaquara que lesionou a medula e impede a movimentação das patas traseiras. Nada que uma cadeira de rodas adaptada não resolva.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Dentro do Pet Shop Tancredo Dogs, na Avenida Tancredo Neves, zona sul de São Paulo, as histórias e os latidos se misturam. Sem a pata direita dianteira, amputada após complicações causadas também por um atropelamento, Mel se faz perceber logo na entrada. Com porte semelhante ao de um labrador, ela é a maior entre os SRDs acomodados em duas fileiras de gaiolas com grades brancas e babados cor de rosa. Movimenta-se sem grande dificuldade e deixa os visitantes lhe acariciarem a cabeça, apesar de ficar receosa com crianças. “Ela deve ter sido machucada por alguma”, acredita Eliana Matiussi, madrinha que custeia os gastos com o veterinário e a hospedagem da afilhada.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Também professora aposentada, casada, dois filhos e três netos, Eliana é uma dos milhares de pessoas dedicadas a recolher animais em situação de risco para mantê-los em clínicas até a oportunidade de adoção. São os chamados cuidadores independentes. Graças à Internet, o trabalho deles ficou muito mais fácil. Boa parte integra comunidades virtuais por meio das quais divulga a realização de eventos, faz denúncias de maus-tratos e pede socorro para manutenção de abrigos e acolhimento de animais.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Com a ajuda da rede reuniram cerca de mil pessoas diante do canil do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), na capital paulista, no final de abril. “O CCZ não faz campanha de adoção, mistura cães sadios com doentes, grandes com pequenos. Os bichos acabam se matando, transmitindo viroses uns para os outros”, diz Arlete Martinez, presidente da Sava, explicando a razão da manifestação.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;“As ONGs não podem entrar para fotografar os animais e tentar doá-los, nem retirá-los para levar a feiras. Não conseguimos sequer promover mutirões para banho e tosa. Não há explicação”, complementa Roberta Roperto, voluntária da mesma entidade.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sgrrs_-BwLI/AAAAAAAAA0s/bK8n6lj6GIo/s1600-h/Lucio1.1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335335866892140722" style="float: left; margin: 0px 10px 10px 0px; width: 400px; height: 294px;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sgrrs_-BwLI/AAAAAAAAA0s/bK8n6lj6GIo/s400/Lucio1.1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Desde 2008, uma lei estadual impede a eutanásia de animais saudáveis em São Paulo. Com isso, a carrocinha passou a atuar somente em casos de denúncias, como quando algum animal oferece perigo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Ao lado de um entediado, indiferente e sonolento Agô, uma cadelinha marrom claro chama atenção. De nome Leci, foi encontrada na rua e abandonada em uma clínica veterinária. Foi outra que conseguiu vencer a cinomose, mas perdeu os movimentos das quatro patas. Isso faz com que tenha de permanecer de fralda e ser trocada a cada duas horas para não ficar assada. Arlete confia na acupuntura para fazê-la mexer as patas da frente. Dessa forma, poderia garantir parte da independência com uma cadeira de rodas semelhante a de Lúcio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Independência que não falta a Pituxo, um rechonchudo SRD branco com manchas pretas sem a pata direita dianteira, fruto de má formação congênita. Mas esse não está disponível para adoção. Não agora. Há nove anos, por indicação de Arlete, Teresa Salvetti o levou para casa quando era apenas um filhote de mês e meio. Na casa da engenheira elétrica, em Santo André, era impossível se sentir deslocado. “Temos a Menina, trípede, a Xuxa, cega, o Roni com problema na coluna e a Doris, com início de convulsões”. Além desses, Teresa cuida de outros três, com apoio do marido, Fowler Braga Filho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Filho é presidente da Focinhos Gelados, ONG que mantém a campanha Animal Saudável é o Bicho. A iniciativa, em parceria com o Estado, discute zoonose e legislação de proteção aos animais em escolas públicas integrantes do programa Escola da Família. Profissional na ação e no discurso, ele acredita que pedir doações por piedade é a pior forma de conseguir apoio empresarial à causa animal. “Quando eu sento com o empresário, ofereço uma oportunidade de ele fazer um trabalho de responsabilidade social e corporativa”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;As feiras de adoção da Sava acontecem desde 2004, ano de fundação do grupo. Atualmente, as edições são mensais. Para obter a guarda de um animal é preciso ter mais de 21 anos, apresentar RG, CPF, comprovante de residência, responder um questionário e ser ser capaz de amar e oferecer carinho. Parte do custo para manutenção dos bichos é paga por meio da realização de bingos e bazares beneficentes. A grande fatia, contudo, sai do bolso dos protetores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Nos eventos com animais sem deficiência, a média é de 20 adoções. Dessa vez, três encontraram um novo lugar para morar. Cego, um cão de cerca de oito anos, pelos marrom escuros e cujos olhos foram perfurados na rua, agora se chama Teco e fará companhia para Liliane Medeiros e Renato Kenjiro. “A maioria tinha protetor, menos ele. Fiquei sensibilizada e resolvi levá-lo”, declara Liliane. Será o sexto na casa, além dos 12 que a adestradora mantém na residência da mãe. No primeiro dia, Teco ficou um pouco alheio, deitado perto do portão, mas logo mapeou o quintal e sempre que ouve chamarem seu nome ou estalarem os dedos, chega balançando o rabo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Mesmo destino teve Pandor, depois Adamastor e atual Sheldon. “Meu marido tinha dificuldade para dizer Adamastor”, explica Natália Rogek, que chegou como voluntária ao Tancredo Dogs e saiu como mãe adotiva. Outra provável vítima do trânsito paulistano, o cachorro de pelos pretos e cerca de dois anos teve de passar por uma cirurgia para retirada da pata dianteira, após uma protetora encontrá-lo com uma fratura mal curada. Enquanto os pontos da cirurgia não cicatrizam, Sheldon tem o privilégio de dormir ao lado de uma gata, sua melhor amiga, na cama da bióloga e do marido. Nada mal para quem ficou quase dois meses em uma clínica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div  style="color: rgb(0, 0, 0); text-align: left;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Antes de todos eles, Agô mostrou a estrela mais uma vez. Daniele Jorge chegou às 14h na feira, motivada pelo desejo da filha de cinco anos de ter um mascote e com indicações de pessoas que anunciam animais na Gazeta do Ipiranga. Ao invés de comprar, resolveu adotar. “É uma atitude mais de coração. Você vê tantos abandonados na rua”, comentou. Foi paixão à primeira vista. Da mesma forma que os outros, Agô mudou de nome e agora reina absoluto como Beethoven, na Vila Carioca, zona sul de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde, há cerca de 20 milhões de cães no Brasil. De acordo com os protetores, os grandes responsáveis pelo abandono são a falta de ação do poder público para promover campanhas de conscientização sobre posse responsável, pouquíssimos programas de castração para controlar a superpopulação e no caso da capital paulista, a precária estrutura do CCZ para absorver animais abandonados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Há ainda o problema da aquisição de animais da moda por impulso. “Algumas pessoas compram raças de grande porte como pit bull, rottweiler, labrador e largam no meio da rua porque se mudam para apartamento ou porque fica muito caro para cuidar depois que crescem”, aponta Arlete.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;Mel, Lúcio e outros 10 cães voltaram para lares provisórios. Quando Agô encontrou um dono, Aline comentou sobre a “tristeza de ver ir embora”. Mas, como todos os outros parceiros, ela espera que a estadia nas ONGs seja apenas um processo de transição. Certo mesmo é que a vida dos bichos seria mais difícil, não fossem as entidades e principalmente, a ação dos defensores independentes. Como definiu Filho, “um inestimável exército de gente que fica no anonimato”. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-1930918502107217651?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/1930918502107217651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=1930918502107217651' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/1930918502107217651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/1930918502107217651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2009/05/ago-o-predestinado.html' title='Agô, o predestinado'/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sgrupo7mLQI/AAAAAAAAA08/-WmVdiYGuhY/s72-c/Ago1,1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-1649259660699357049</id><published>2008-12-17T18:56:00.004-02:00</published><updated>2008-12-18T18:26:52.786-02:00</updated><title type='text'>De flores e curativos</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SUloMqCfrHI/AAAAAAAAAmo/Ov1S9MjAzxU/s1600-h/Brasil+cru.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280866604721089650" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 154px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SUloMqCfrHI/AAAAAAAAAmo/Ov1S9MjAzxU/s400/Brasil+cru.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Foto: Andre Arruda (Samba Photo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Washington Luiz Araújo&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Último dia de ano, duas e meia da tarde, sol escaldante lá fora, ar refrigerado numa farmácia do Flamengo, Rio de Janeiro. Estou comprando meus últimos suprimentos para entrar no ano novo sem dor de cabeça, já que não comprei o suficiente para as noites anteriores e minha “cachola” estava pagando por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao adquirir meus envelopes de Engov ouço uma voz: “moço, o senhor tem um pedaço de esparadrapo?”. Não. Foi o que respondeu de pronto o balconista. Até processar o diálogo na minha combalida cabeça ressacada, o rapaz que solicitou o pedaço de curativo já estava saindo da farmácia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhei seus passos claudicantes e vi que parou atrás de um monte de flores e ali sentou. Comprei uma caixinha de band-aid, por R$ 1,29, tirei dois e levei até o vendedor de flores que sofria com o sapato apertado. Vai saber quanto tempo não usa um calçado novo? Entreguei os curativos e ouço um muito obrigado, além da oferta de flores. Poderia pegar as que eu quisesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encabulado, não querendo dar muito prejuízo, pego um botão de rosa vermelha, mas este traz outro enganchado pelos espinhos. Tento soltá-los, mas ouço o rapaz: “Pode ficar com os dois e feliz ano novo”. Certamente, os dois botões custavam bem mais do que a caixinha de esparadrapo, da qual só subtraí dois curativos e fiquei com o restante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí, com cara de bobo alegre, ostentando as duas rosas, com espinhos e tudo. São estas rosas que ofereço a vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o ano novo começou. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-1649259660699357049?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/1649259660699357049/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=1649259660699357049' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/1649259660699357049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/1649259660699357049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2008/12/de-flores-e-curativos.html' title='De flores e curativos'/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SUloMqCfrHI/AAAAAAAAAmo/Ov1S9MjAzxU/s72-c/Brasil+cru.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-9135253598813528205</id><published>2008-12-10T13:31:00.021-02:00</published><updated>2008-12-11T16:04:00.427-02:00</updated><title type='text'>Entrevista: Renata foi ao Paquistão</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/ST_oFiWfH_I/AAAAAAAAAmY/djVNiaUY_jA/s1600-h/HeliÃ³polis+1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5278192470119620594" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/ST_oFiWfH_I/AAAAAAAAAmY/djVNiaUY_jA/s400/Heli%C3%B3polis+1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Fotos: Renata Castello Branco&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;A fotógrafa paulistana Renata Castello Branco, 53, filha de um piauiense com uma gaúcha, caminhou durante oito meses pelas ruas da maior comunidade de São Paulo. A câmera digital Cannon foi seu passaporte para ingressar na euforia e na melancolia dos anônimos que compõem as 140 páginas do livro “Heliópolis”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sugestão do Secretário de Educação da Cidade de São Paulo, ela resolveu deixar o estúdio na Vila Mariana, em dezembro de 2007, para registrar a vida presente nos cultos, nas conversas de calçada e nas roupas estendidas no varal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também visitou o Paquistão, um lugar onde nem mesmo a união dos moradores tem grande influência. Foi aí que precisou usar a lábia e o poder da imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com apoio da Fundação Padre Anchieta e da própria Secretária Municipal de Educação, a editora DBA lança na quarta-feira, dia 10 de dezembro, o resultado dessa imersão. A noite de autógrafos de “Heliópolis” acontece às 20h, no Centro Cultural São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma oportunidade única: por problemas burocráticos, o material não poderá ser vendido. Quem comparecer levará para casa uma edição da obra que será distribuída para escolas da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia antes do lançamento, Renata recebeu a reportagem de &lt;strong&gt;Anonimato S/A&lt;/strong&gt; para falar sobre o início da carreira, os bastidores do projeto e a interferência da imagem na vida do cidadão comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como surgiu sua paixão pela fotografia?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Renata Castello Branco –&lt;/strong&gt; Quando eu tinha 17 anos, meu pai, Renato Castello Branco – um publicitário que começou a vida como escritor – se aposentou e resolveu fazer um trabalho com cunho jornalístico sobre Sete Cidades, um parque de formações rochosas no Piauí. Ele me levou junto, porque eu tinha interesse em arqueologia. Comprou uma (câmera) Nikkon e jogou na minha mão, pedindo para eu fotografar as formações e as inscrições rupestres. Eu adorei! Até fui fazer faculdade de História, mas no meio do caminho já sabia que não era isso que eu queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E o primeiro emprego?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Renata –&lt;/strong&gt; Antes da faculdade eu fui trabalhar no estúdio do Chico Albuquerque, o maior de São Paulo na década de 1980. Ele foi o responsável por fazer a transição da ilustração para a imagem na publicidade. No acervo dele eu encontrei coisas incríveis, como propagandas que eram metade ilustração, metade fotografia. Desenhava-se uma escadinha na parede e uma luminária, bem rudimentares, e aí fotografavam uma mulher de forma que parecesse subir os degraus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A estrutura era boa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Renata –&lt;/strong&gt; Cheguei em um período de muito investimento. Para fotografar um fogão, montava-se uma cozinha inteira dentro do estúdio. Era a época da grana, a mídia impressa tinha um valor enorme. Depois, saí para fazer faculdade, mas já começava a pegar uns trabalhinhos. Comecei a trabalhar com publicidade, iluminação e depois com retrato, que eu sempre gostei e aprendi a fazer com seu Chico. Passei a fazer muitos retratos empresariais, corporativos, de campanha política e acabei conhecendo os marqueteiros. Descobri aí o segmento que é meu foco: fotografia para campanha pública. Eu trabalho mostrando a gestão dos governos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O livro Helíópolis tem um enfoque publicitário?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Renata –&lt;/strong&gt; Não tem, mas surgiu a partir de um contrato que fechei com a secretaria de educação para falar sobre a gestão de uma forma geral. O secretário, que tem uma visão abrangente, encomendou um livro autoral sobre Heliópolis, porque a comunidade possui um projeto educativo muito interessante. Ele sugeriu que fosse feito dentro de um pacote de coisas que eu estava produzindo, mas com total liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que você destaca no processo de elaboração do livro?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Renata –&lt;/strong&gt; A parte testemunhal foi o que me encantou. Não deixa de ser uma delícia ver o livro pronto, mas o grande barato foi a jornada: entrar nas ruas, andar aleatoriamente por elas, pelos becos, buscando o que tem atrás de um varal, de uma porta entreaberta. Ouvir histórias, tomar cafezinho com as pessoas, ouvir desabafos. Uma relação que só foi possível porque eu tinha uma câmera pendurada no pescoço. A câmera fotográfica foi uma espécie de passaporte para interagir com as pessoas em uma comunidade que tem uma associação muito atuante (UNAS – União de Núcleos, Associações e Sociedades de Moradores de Heliópolis e São João Clímaco).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual era sua pretensão quando você começou a fotografar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Renata –&lt;/strong&gt; Nenhuma. Entrei lá rasa. Inclusive, no começo estava no caminho errado. O primeiro contato que eu tive foi através da UNAS e se eu não tinha nenhuma amarra nem com a prefeitura, nem com o secretário, me sentia atada à entidade. Porque eles estavam me mostrando a fachada institucional. Não que eles falaram o que eu tinha que fazer, mas, naturalmente, mostraram os projetos que desenvolviam. O primeiro passo foi perceber a necessidade de andar aleatoriamente, conversar, conhecer e entender aquele lugar, focando em coisas que iriam contar a história que eu gostaria. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Você encontrou alguma dificuldade para registrar as imagens?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Renata –&lt;/strong&gt; Sempre havia alguém me acompanhando, você só circula acompanhada. Tem os lugares que a UNAS leva porque sabe que as pessoas vão gostar e onde o acesso já está negociado. Existe uma realidade paralela, não há um dia em que se ande por lá e não se veja o tráfico acontecendo ao lado. É uma coisa consentida. E eu queria ir nesse lugar aqui (aponta a imagem de um espaço chamado Paquistão, onde há a inscrição: “como pode um soldado pregar a paz, se foi treinado para a guerra”), só que a UNAS não tem acesso. Quando me dei conta, estava negociando com traficante para conseguir entrar. É o lugar mais barra pesada da comunidade, onde a influência da UNAS não existe. Recebi telefonemas em que ouvi coisas como “nós vamos te acompanhar, mas você vai fotografar as crianças do hip hop. Você não quer ir embora sem sua câmera, né?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como os moradores a recebiam?&lt;br /&gt;Renata –&lt;/strong&gt; Com uma exceção, não houve resistência. Só encontrei problema quando comecei a fotografar umas casas que estavam sendo demolidas e tinha uma encrenca qualquer com a prefeitura, algo ligado à desapropriação, não sei bem. E aí ouvi umas coisas ruins, algo como “te meto uma bala na cabeça”. Mas, 90% do tempo fomos super bem recebidos. Tem também essa coisa da câmera digital que você fotografa e a pessoa compartilha na hora. Muitas vezes eu me colocava no lugar dos moradores e pensava que eu não gostaria de ser fotografada em uma casa de palafita, numa condição muito difícil, mas as pessoas eram receptivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Houve algum outro momento de tensão?&lt;br /&gt;Renata –&lt;/strong&gt; Em uma oportunidade, no Paquistão, estávamos numa ‘fusqueta’ lá da prefeitura, quase uma Brasília. O menino que guiava era um garoto de boné. Meu assistente também estava de boné. Mesma coisa um outro rapaz da rádio comunitária que nos acompanhava. E eu e minha coordenadora sentadas no banco de trás. Acho que os policiais pensaram que era um seqüestro e chegaram apontando armas para a cabeça deles. Foi complicado explicar que eu e ela não éramos vítimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que a surpreendeu?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Renata –&lt;/strong&gt; Uma das coisas que mais chamou minha atenção foi uma história que o Gil, fotógrafo da comunidade, contou. Ele nos explicou que uma região colada à essa do Paquistão sofria dos mesmos problemas e não era acessível. Até o tráfico entrar e moralizar. Não rola mais briga, não se vende droga para os menores de lá de dentro, não tem tiro à noite. Depois que o tráfico entrou e estabeleceu uma porção de regras, entra até caminhão das Casas Bahia, que não chegava. O tráfico faz o papel que o Estado deveria fazer.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/ST_m_1jCcsI/AAAAAAAAAmI/kvceNlqP80w/s1600-h/HeliÃ³polis+2.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5278191272681697986" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/ST_m_1jCcsI/AAAAAAAAAmI/kvceNlqP80w/s400/Heli%C3%B3polis+2.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Você tem filhos? Conversou com eles sobre a rotina das fotos para o livro?&lt;br /&gt;Renata –&lt;/strong&gt; Sim, tenho dois. Minha filha mora no Rio de Janeiro, então conversava mais com meu filho de 19 anos, que mora comigo. Eu contava meu dia-a-dia para ele, mas não é diferente do que fiz a vida inteira. Sempre procurei mostrar um lado que não é o que ele vive. Que a vida não é só Itaim e Nossa Senhora das Graças. Quando ainda era pequeno, vimos juntos o documentário do ônibus 174 e falarmos sobre absurdos como aqueles mauricinhos que botaram fogo no índio, em Brasília. A rotina não mudou por ter esse trabalho. Eu sempre me preocupei em conversar com eles sobre essas questões, não foi diferente nessa ocasião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como sua atividade pode interferir na vida das pessoas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Renata –&lt;/strong&gt; Eu acho que o fato da prefeitura escolher Heliópolis para fazer esse trabalho é um reconhecimento de que se trata de uma comunidade importante. A maneira como a comunidade está representada no livro é legal para a auto-estima, mesmo sendo impossível não mostrar as dificuldades. Mas, estão também representadas a força, o vigor, a criatividade, a alegria. E isso só há de melhorar a auto-estima. Não que seja ruim a auto-estima deles, acho que eles estão bem. Como trabalho com governos de Estado, prefeituras do Brasil, já estive em outras comunidades. Há três anos faço a Baixada Fluminense, a região da Guarapiranga, em São Paulo, então, tenho parâmetros para comparar e dizer que Heliópolis é a mais organizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Você manteve laços de amizade com as pessoas?&lt;br /&gt;Renata –&lt;/strong&gt; Eu não vi mais as pessoas com quem convivi, verei novamente amanhã (dia 10 de dezembro, data de lançamento do livro). O Régis, da Rádio Heliópolis, estará lá e virá um ônibus da comunidade. Lembro de algumas pessoas com muita admiração, mas estabelecer laços de amizade é difícil. Eu estou aqui e eles lá. Mas, com certeza, se precisarem de alguma coisa sabem que podem contar comigo. Isso eu acho que a gente pode chamar de laço de amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual a visão que a obra apresenta sobre Heliópolis?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Renata –&lt;/strong&gt; A síntese para mim é que a comunidade, pela condição de vida das pessoas, tem um tanto de dor, mas muito de alegria e de criatividade. Essa alegria passa de dentro das casas para as ruas, coloridas, grafitadas. Você anda por lá e sempre há alguém ouvindo música alto, as pessoas conversam muito, brincam. É uma comunidade que tem a polaridade muito forte. A dor e a alegria são sentimentos que convivem paralelamente o tempo todo. Essa foi a realidade que eu vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Serviço&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Heliópolis”&lt;br /&gt;Editora: DBA (Dórea Books and Art)&lt;br /&gt;Fotos: Renata Castello Branco&lt;br /&gt;Projeto gráfico: Sylvain Barré&lt;br /&gt;140 páginas&lt;br /&gt;Lançamento: 10 de dezembro, quarta-feira, a partir das 20h, no Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000, Paraíso/SP).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-9135253598813528205?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/9135253598813528205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=9135253598813528205' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/9135253598813528205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/9135253598813528205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2008/12/entrevista-roberta-foi-para-o.html' title='Entrevista: Renata foi ao Paquistão'/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/ST_oFiWfH_I/AAAAAAAAAmY/djVNiaUY_jA/s72-c/Heli%C3%B3polis+1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-6678853235803071830</id><published>2008-12-04T20:23:00.015-02:00</published><updated>2008-12-11T16:16:10.568-02:00</updated><title type='text'>Brasil: sétimo lugar na Copa de Rua</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SThdKYc_JzI/AAAAAAAAAlQ/T2K9vQgOmy8/s1600-h/SeleÃ§Ã£o.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5276069396408641330" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SThdKYc_JzI/AAAAAAAAAlQ/T2K9vQgOmy8/s400/Sele%C3%A7%C3%A3o.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;foto: Talita Matos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Foi por pouco: a derrota por 5 a 4 para a Rússia impediu que a seleção brasileira de futebol de rua chegasse às quarta-de-final do torneio. Ainda assim, foi a melhor campanha da equipe nos últimos cinco anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma forte chuva a poucos minutos do início da partida contra o time russo deixou o piso molhado e provocou muitas contusões, inclusive do goleiro brasileiro Diego. Apesar do resultado desfavorável, a seleção mostrou um grande poder de superação. Depois de tomar 4 gols no primeiro tempo, tirou a diferença, mas não alcançou o empate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No jogo seguinte, o Brasil venceu a Ucrânia nos pênaltis e ficou com o sétimo lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O campeão desta edição da Copa foi a seleção do Afeganistão, que derrotou a Rússia por 5 a 4. Em terceiro ficou Gana, seguida por Escócia, Quênia e Inglaterra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com a assessoria brasileira, fora de campo a disputa foi importante para os países latino-americanos (Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Colombia e Mexico) estreitarem laços visando a criação de um movimento regional e a disputa da Homeless World Cup em 2010, na América do Sul, muito provavelmente no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seleção brasileira jogou 12 partidas, venceu duas, fez 92 gols e sofreu 30, saldo positivo de 62 gols.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Jogos do dia 02/12&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Brasil 4 x 6 Ucrânia&lt;br /&gt;Brasil 11 x 1 Malaui&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Brasil 15 x 3 Argentina &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;03/12&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Brasil 8 x 3 Timor-Leste&lt;br /&gt;Brasil 8 x 1 Lituânia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;04/12&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Brasil 11 x 0 Hong Kong&lt;br /&gt;Brasil 7 x 3 Noruega&lt;br /&gt;Brasil 10 x 4 Quênia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;05/12&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Brasil 2 x 1 Portugal&lt;br /&gt;Brasil 9 x 0 Hungria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;06/12&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Quartas de final:&lt;br /&gt;Brasil 4 x 5 Rússia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;07/12&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Disputa do sétimo lugar&lt;br /&gt;Brasil 3 (1) x (0) 3 Ucrânia&lt;br /&gt;&lt;em&gt;* Brasil venceu por 1 x 0 nos penâltis&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Para ler a reportagem sobre a preparação da equipe, visite nosso site: &lt;a href="http://www.anonimatosa.com/"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;www.anonimatosa.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-6678853235803071830?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/6678853235803071830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=6678853235803071830' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/6678853235803071830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/6678853235803071830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2008/12/notcias-da-seleo.html' title='Brasil: sétimo lugar na Copa de Rua'/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SThdKYc_JzI/AAAAAAAAAlQ/T2K9vQgOmy8/s72-c/Sele%C3%A7%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-9146323261714378050</id><published>2008-12-03T00:30:00.025-02:00</published><updated>2008-12-03T01:40:17.477-02:00</updated><title type='text'>Flores sobre o túmulo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Por Luiz Carvalho (texto) e Marcio Brigo (imagens)&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Caso o poeta realmente tenha razão, o Largo General Osório, na região do centro velho paulistano, é uma explosão de flores sobre o túmulo do samba. Não em sinal de nostalgia, mas numa sublime nota de resistência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esquina da Rua General Osório com a Rua dos Andradas, onde duas dezenas de pessoas se juntam às portas de um bar e em torno de cuíca, cavaquinho, bandolim, pandeiro e outros objetos que viram instrumentos de percussão, é um aperitivo antes do apogeu. E um exemplo de democracia. Na altura do número 98, do lado esquerdo, a placa indica Osório com ‘s’. Do lado direito, o endereço vira Ozório. Para evitar o embate, vamos pelo apelido: eis a Rua do Samba Paulista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nata do estilo musical se reúne todo último sábado do mês em apresentações conhecidas por já terem recebido quase todos os bambas da cidade e mesmo de outros estados. Sob uma tenda branca, em cima de um pequeno palco, embaixo de holofotes e cercado por grades de proteção, os 11 integrantes do Samba Autêntico, grupo de pesquisa sobre o samba paulista, ensaia antes de começar a edição de aniversário.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/STX_VYiOyMI/AAAAAAAAAlA/4_hOKPPDzX8/s1600-h/Aut%C3%AAntico+samba.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5275403281362766018" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 224px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/STX_VYiOyMI/AAAAAAAAAlA/4_hOKPPDzX8/s400/Aut%C3%AAntico+samba.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Seis anos e 72 encontros depois, o espetáculo não acontece mais em frente à loja de instrumentos musicais Redenção: em 2006, passou a fechar uma via no bairro Santa Ifigênia, paraíso de produtos eletrônicos. Partiu de uma platéia de 150 pessoas para reunir cinco mil perante a maior sala de concertos de música erudita da América Latina: a Sala São Paulo, no Complexo Cultural Júlio Prestes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;A regra e o mestre –&lt;/strong&gt; “A nobreza gosta da música, mas não chega para ver e ouvir”, comenta Roberto Oliveira dos Santos, o Beto, integrante da UNEGRO (União de Negros pela Igualdade), uma das responsáveis pelo evento. Egresso dos movimentos estudantil e sindical, ele define o encontro como uma roda com viés político, cultural e transformador. Econômico também. “Optamos pelo último sábado do mês porque todo mundo está duro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A preocupação, segundo conta, é fazer política cantando sambas de raiz, sem transformar o espaço em palanque. No intervalo para o descanso dos músicos, Beto e a direção da UNEGRO utilizam o microfone para lembrar à platéia, majoritariamente jovem e vestida para a balada, que a Rua do Samba é “radicalmente favorável às políticas de ações afirmativas, às cotas e ao Estatuto da Igualdade Racial para acabar com a centralização de renda”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não é sambista, então faz as vezes de mestre de cerimônias e ouvidor. Após receber reclamações do público feminino a respeito de letras machistas, resolveu conversar com os partideiros. O resultado foi a roda de samba das mulheres, que acontece em março. Ao menos neste mês elas é que mandam no terreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A regra da rua é simples: velha guarda entra sem pedir, quando quiser, ao contrário dos novos compositores, submetidos ao crivo de Paulo Roberto Mateus, o Mestre Paulo, paulistano da Casa Verde e filho de um dos fundadores da Unidos do Peruche. Da mesma forma que Beto, Mestre Paulo tem um boné com o nome pintado. Diretor de bateria da Peruche, ele passou a integrar o grupo Samba Autêntico em 2003, quando o irmão caçula o convidou para dar moral ao projeto que engatinhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Roda do acarajé –&lt;/strong&gt; São três horas da tarde do último final de semana de novembro e a música acaba de começar. Gerson Nascimento está vestido de acordo com a ocasião. Usa filá, tradicional chapéu africano, camisa com faixas horizontais vermelha e preta e as letras MPLA na altura do coração, sigla de um partido político angolano. Tudo isso para vender acarajé e algumas outras peculiaridades na Rua do Samba: cuscuz, bolo de mandioca, vatapá e xinxim de galinha, que acompanha arroz. O forte da barraca, porém, é o acarajé. Em média, comercializa cerca de 100, vendidos a R$ 4 cada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A barraquinha do soteropolitano não tem concorrência. Ao seu lado estão uma de espetinho e mais seis de lanches como cachorro-quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos domingos, na feira da Praça da República, o figurino muda e ele se torna um típico baiano para turistas, com roupas brancas e demais apetrechos. Lá, vende sete tipos de comidas baianas e, neste caso, o acarajé perde a majestade, mas não o lugar no coração de Gerson.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi graças ao quitute que comprou um apartamento na Rua Aurora, depois de chegar a São Paulo na década de 1980, quando trabalhou registrado como caseiro no Itaim Bibi. Após três anos, viu que seu caminho era outro e passou a vender pastel e caldo de cana no bairro da Santa Cecília. Mas, o acarajé estava no sangue, tradição de mãe para filho, que botou em prática logo depois de ingressar no ramo da alimentação. No futuro, se Deus quiser, financiará um “negócio de portinha”, que atenda ao público durante a semana.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/STX_FQAWHFI/AAAAAAAAAk4/D0mktTg2gP8/s1600-h/O+samba+da+J.+Guerra.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5275403004195249234" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 224px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/STX_FQAWHFI/AAAAAAAAAk4/D0mktTg2gP8/s400/O+samba+da+J.+Guerra.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;A outra roda –&lt;/strong&gt; J. Guerra, o bar entre as duas versões de Osório, é um típico boteco das antigas: pouco espaço, torresmo exposto atrás do vidro, mesa na calçada e diversos sotaques. O único sinal de modernidade é o copo de plástico, para evitar prejuízo com a batucada e o tremelique da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Correia é um cliente exemplar. Historiador carioca de 46 anos, ele tem cabelos compridos, barba comprida e umbigo no balcão. Apesar da carteira de ator profissional, trabalha desde sempre na informalidade, com coleta de dados para pesquisa e, atualmente, na elaboração de projetos sociais para adolescentes em situação de risco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando comento que acho interessante ele não ter perdido o sotaque carioca em 26 anos de São Paulo, logo define: “Minha avó era cearense e deixou o nordeste aos 20 anos. Até o fim da vida não falava vermelho, mas sim encarnado”. Está explicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filho de mãe militante do PT com pai militar (“um milico dos novos tempos, votou no Gabeira”), identificou-se mais com o espírito materno. “Sou um bicho vira-lata da rua, gosto de manifestações culturais na rua. Essa forma de expressão é mais autêntica e transformadora, na medida em que as pessoas passam a conhecer as origens e a própria cultura. Fico emocionado”, diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correia prefere o boteco da Osório com a Andradas ao largo porque o primeiro lhe parece mais com o formato original da Rua do Samba. “No largo, a coisa é mais democrática porque mais pessoas participam, mas aqui na esquina é mais resgate, mais fundo de quintal. Lá é o Rio de Janeiro, glamuroso. Aqui é Niterói, a cidade sorriso”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/STX-udYsG6I/AAAAAAAAAkw/Jz4ffO9FX1c/s1600-h/Gringa+do+Samba.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5275402612650023842" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 224px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/STX-udYsG6I/AAAAAAAAAkw/Jz4ffO9FX1c/s400/Gringa+do+Samba.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Em um ambiente multiétnico, mas predominantemente negro, uma mulher de pele alva, cabelos loiros e óculos escuros desaparece após a fotografarmos na calçada do J. Guerra. Descobrimos que Lúcia é seu nome, mas todos a conhecem como Gringa do Pandeiro. Com esse pseudônimo, a argentina morre de medo de seqüestro. “Talvez pensem que eu tenho euros”. Por isso, não revela o sobrenome e permite apenas que registremos o pandeiro, posto na altura do peito, junto à camiseta com a imagem de São Jorge. “É ‘mía’ alma”, define.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Apesar de viver há três décadas no Brasil, desde quando o marido engenheiro chegou a trabalho, conserva o sotaque castelhano. Aos desembarcar em território brasileiro, passou dois meses na capital carioca, antes de se estabelecer no bairro paulistano do Campo Belo, onde mora desde então. Professora aposentada de inglês e espanhol, formada em piano, sempre amou a música, especialmente o samba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Gringa do Pandeiro carrega a paixão pelo apelido no pulso direito, repleto de calos. “Toco todos os dias. Às vezes uma hora, quando a dor na coluna ataca. Mas, se estou bem, são três, quatro horas, lá no fundo de ‘mío’ quintal do samba”, orgulha-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No largo ou no bar, a festa prossegue até lá pelas oito da noite e o cenário das imediações não muda. A escuridão se aproxima e o abandono dos prédios e das pessoas parece ficar mais evidente no caminho de volta para casa. Para o bem e para o mal, o samba, pai do prazer e filho da dor, não vai morrer. Desde que o samba é samba é assim.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-9146323261714378050?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/9146323261714378050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=9146323261714378050' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/9146323261714378050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/9146323261714378050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2008/12/flores-sobre-o-tmulo.html' title='Flores sobre o túmulo'/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/STX_VYiOyMI/AAAAAAAAAlA/4_hOKPPDzX8/s72-c/Aut%C3%AAntico+samba.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-343283641778238654</id><published>2008-10-27T15:40:00.007-02:00</published><updated>2008-10-27T18:30:24.254-02:00</updated><title type='text'>Meu peru nunca é preso, com habeas corpus sai ileso</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SQX-Eq7g-EI/AAAAAAAAAjI/AtlZY2yC4QE/s1600-h/Peruada.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261891095849138242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 224px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SQX-Eq7g-EI/AAAAAAAAAjI/AtlZY2yC4QE/s400/Peruada.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Por Luís Fernando Carvalho *&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caros leitores, queridas leitoras, respeitável público: a primeira vez com peru é inesquecível e leva três dias. No primeiro dia, existe até peru mecânico – ao invés de touro mecânico – para testar o equilíbrio. O segundo dia é meio morno, como se estivesse ali, localizado bem no meio do evento fantástico, a fim de garantir fôlego suficiente para algo desconhecido, uma sensação que está por vir. Então, no terceiro dia, o auge, o êxtase, a explosão de felicidade e prazer, alegrias maravilhosas que tomam conta de todo o ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calma, calma! Eu posso explicar! A Peruada é um evento tradicional da Faculdade de Direito da USP, localizada no Largo São Francisco e carinhosamente chamada de SanFran. Ocorre anualmente, na terceira sexta-feira de outubro, sendo considerada uma manifestação político-etílico-circo-carnavalesca, cujas origens alguns dizem remontar a 1948, quando membros do Centro Acadêmico XI de Agosto furtaram nove perus de raça premiados na Exposição Nacional de Animais do Parque da Água Branca e com eles se banquetearam. Na verdade, há registros de memoráveis festas estudantis organizadas para a “libertação” dos calouros dos suplícios do trote: em 1932, um estudante fantasiou-se de Oswaldo Aranha, vestiu a camisa negra do fascismo e fez malabarismos com um chuchu, que simbolizava Getúlio Vargas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro dia, ocorre o chamado Grito do Peru. O famoso Vitão, membro do Diretório Jurídico carinhosamente e informalmente incorporado como patrimônio histórico-cultural da SanFran, abre as festividades de uma maneira bastante excêntrica: segurando um peru – vivo – à frente de um grupo composto por duas mulatas que sambam primorosamente e uma banda de senhores tocando marchinhas de carnaval. Todo o grupo sai do Porão, adentra a Faculdade pelo corredor lateral, na rua Riachuelo, e literalmente dizima as aulas em todas as salas, começando pelas do térreo, onde boa parte dos calouros estudam. Cumprida a primeira parte da tradição, junta-se ao grupo a Bateria de Agravo de Instrumento da São Francisco – BAISF – e a folia definitivamente toma conta das Arcadas, com o samba animando os estudantes até na sua empreitada sobre o peru mecânico. Mais tarde, precisamente às XI e 08 da noite, ocorre a cervejada pré-peruada, e a “lascívia acumulada” começa a ser liberada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde seus primórdios, a festa não ocorreu apenas de 1974 a 1982, por conta da repressão e censura dos governos militares. Seu nome está ligado ao hábito caboclo de dar pinga aos perus, tonteando-os antes do sacrifício. Assim, considerando que os estudantes – calouros ou não – sorvem o ardente líquido com a mesma submissão e posterior volúpia que os animais em questão, percebe-se facilmente o caráter etílico do evento e a pertinência de sua graça. Aliás, existem antigos alunos que não mais freqüentam o maior evento franciscano justamente porque consideram que ele perdeu seu caráter político, focando somente no etílico. A crítica não é totalmente verdadeira, mas por pouco: os estudantes festejam a Peruada basicamente como uma “micareta open bar”, enchendo a cara de cerveja, vodca e jurupinga, além dos artefatos alcoólicos trazidos de casa, como bebidas cujo aroma não é lá muito agradável e cuja aparência faz lembrar os famosos vinhos “sangue de boi” interioranos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paquera também corre solta pela festa, digamos, no formato de pegação desenfreada. Seguindo fielmente os princípios dos Tribalistas, segundo os quais “eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também”, a massa estudantil une seu estado “etilizado” aos feromônios, resultando numa operação de solta e agarra – diferentemente da operação Satiagraha, esta é efetiva – à luz do dia, nas ruas do centro paulistano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste ano, entoando louca e roucamente os primeiros versos do hino do evento – Vai, vai, vai começar a brincadeira / Tem cerveja de graça a tarde inteira / Vem soltar a lascívia acumulada / Vai, vai, vai começar a Peruada – por quase todo o tempo, os jovens se mostraram animados desde a concentração, no número 138 do Largo do Paissandu. A brincadeira, então, seguiu pelas avenidas São João, Ipiranga e São Luís, atravessou os viadutos Nove de Julho e Jacareí – com uma parada em frente à Câmara Municipal para protestar –, passou pela Rua Maria Paula, subiu o viaduto Brigadeiro Luís Antônio, seguiu pelo Largo São Francisco e pela rua Líbero Badaró, até finalmente contornar a praça Ramos de Azevedo e retornar ao local de origem, lá permanecendo até a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os protestos, que ocorreram especialmente em frente à Câmara Municipal, refletiram-se nas fantasias e alegorias vestidas e utilizadas pelos participantes. Havia dois rapazes cujos trajes aludiam aos dois militares gays do Exército. O casal buscava chamar a atenção para o preconceito: os chapéus usados por eles tinham detalhes em rosa, bastante chamativos. Havia, ainda, duas moças simbolizando Lehman Brothers, nitidamente satirizando a crise econômica iniciada nos Estados Unidos. Outras belas jovens, em referência à Lei Seca, vestiam-se de táxis, cujas placas traziam os dizeres “Em tempos de Lei Seca, pegue um táxi!”. Foram consagrados no concurso das melhores fantasias políticas e críticas o Vendedor de Habeas Corpus, a Pizzaria 3 Poderes – cuja fantasia relembrava os escândalos com cartões corporativos do governo federal –, os Bobos da Suprema Corte e o grupo do Tio Sam de Calças Curtas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A festa nas ruas não ficou restrita a universitários. Aliás, longe disso: havia quase uma centena de policiais militares incumbidos de zelar pela segurança, técnicos da Companhia de Engenharia de Tráfego – afinal, centro de São Paulo é centro de São Paulo –, trabalhadores, transeuntes e até mendigos e catadores de latinhas, todos bastante animados, embora muitos sequer soubessem do que é que se tratava aquele “monte de gente pulando com música alta”, nas palavras de um senhor que recolhia latinhas de refrigerante e cerveja enquanto aproveitava todo o aparato musical para, também ele, dançar conforme o ritmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sem condições inclusive de falar, mas com enorme esforço para resgatar o mínimo de voz na garganta, aqueles que ainda se mantinham de pé cantaram, com sentimento ligeiramente melancólico, os quatro últimos versos do hino da peruada, de autoria de Eduardo Calvert: Vai, vai, vai terminar a brincadeira / Que a cerveja rolou a tarde inteira / Morre o sol, faz-se sombra nas Arcadas / Vai, vai, vai terminar a Peruada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;* Luís Fernando Carvalho&lt;/strong&gt;, 23. Formado em Relações Internacionais pela Unesp (Franca - 2007), estuda na Faculdade de Direito da USP, trabalha e mora no centro de São Paulo. Viaja muito pelo estado e crê que sua vida seria bem mais próspera se ganhasse milhagens para suas incontáveis viagens de ônibus. Em 2008, participou pela primeira vez da Peruada.&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-343283641778238654?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/343283641778238654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=343283641778238654' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/343283641778238654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/343283641778238654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2008/10/meu-peru-nunca-preso-com-habeas-corpus.html' title='Meu peru nunca é preso, com habeas corpus sai ileso'/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SQX-Eq7g-EI/AAAAAAAAAjI/AtlZY2yC4QE/s72-c/Peruada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-1708795565704081627</id><published>2008-10-01T20:33:00.008-03:00</published><updated>2008-10-02T16:02:33.501-03:00</updated><title type='text'>Passarela eleitoral gratuita</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SOQJSUGZE2I/AAAAAAAAAio/c3IprL0AvbY/s1600-h/Teste2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5252333275658654562" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="303" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SOQJSUGZE2I/AAAAAAAAAio/c3IprL0AvbY/s320/Teste2.jpg" width="259" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;A dois dias das eleições municipais, a tensão e a expectativa tomam conta das campanhas. Cabe aos apoiadores intensificar o contato com parentes, vizinhos, amigos e qualquer grupo potencialmente capaz de reservar uma cadeira na Câmara dos Vereadores ou na prefeitura da cidade. Para os coordenadores, o momento é de bolar formas de cravar o nome do candidato na mente do eleitor. Diz o manual do correligionário: “o último gole é o que mata a sede”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que a Lei da Cidade Limpa fez sumir placas, faixas amarradas de poste a poste e os muros pintados, o jeito foi transformar carros em outdoors e utilizar estruturas que cortam os caminhos congestionados da capital paulista para divulgar a imagem e os números dos postulantes a cargos no Executivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a Avenida Alcântara Machado, mais conhecida como Radial Leste, uma das vias mais temidas por quem deseja ultrapassar os 20 quilômetros por hora que o velocímetro do carro costuma marcar durante boa parte do dia no local, fica a passarela Salvador Rodrigues, um banquete para os grupos de apoio dos políticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã de primeiro de outubro, dia do idoso, Josefa Ferreira, 62, segurava o mastro preto de um bandeira com o nome de Gilberto Kassab, na entrada do lado Mooca da passarela que passa sobre os sentidos centro e bairro da Radial e culmina no lado Brás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde quinta-feira, 25 de setembro, Josefa ganha para ocupar viadutos da região e promover o nome do atual prefeito, das 07 às 13 horas. Até então, tinha dado sorte: tempo frio, sol ameno. Não foi o caso dessa quarta-feira de calor intenso. Mas, ela não reclama, considera a atividade tranqüila. Pode revezar com a senhora que a acompanha e descansar sentada no chão. Para não ter problemas com os raios ultravioletas, usa um boné jeans para proteger o rosto arredondado e procura esconder o corpo de 1,52 sob a sombra da construção que serve de abrigo também para um vendedor de churrasco. Assim aguarda a chegada do “fiscal” que a levará de volta para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vestindo jaleco verde com o nome de Kassab, tênis branco e óculos de aros redondos, os quais esconde para tirar fotos, ela conta que mora no bairro Juscelino, região de Itaquera. Soube da vaga de apoiadora por meio de uma associação de idosos chamada Novo Amanhecer. “Não há nada prometido, mas disseram que se precisarem da gente depois para alguma coisa podem até chamar”. Ela fez ficha, deixou todos os dados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro emprego foi em Pernambuco, aos 13 anos, em uma fábrica. O único “fichado”. Aos 14 veio para São Paulo com a madrinha e a mãe de uma amiga. Até completar 20 anos, trabalhou em casas de família. Depois, casou e o marido não deixou mais que ela trabalhasse fora. Há 10 anos, o esposo faleceu, vítima de diabetes. “Se não fossem meus filhos já teria voltado para Recife”, comenta, citando os quatro que teve em território paulistano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais incomoda Josefa Ferreira são os problemas da saúde pública, o tempo que demora para marcar uma consulta e o custo de vida. “Quando eu cheguei, dava para ganhar dinheiro em São Paulo. Era disso que mais gostava. Agora, nem isso dá mais”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que votará no patrão a quem diz não ter a honra de conhecer pessoalmente? “Sim, estou trabalhando para o homem. Fazer o quê? Não posso trair”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo à frente, Celso Jatene, vereador candidato à reeleição, revela-se um estrategista, verdadeiro Vanderlei Luxemburgo do pleito. As doações ao time Scorpions, da Vila Antonieta, bairro da zona leste, geraram voluntários. Não me refiro aos gandulas, mas aos próprios atletas da equipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso de Ricardo Pontes, 23, goleiro da equipe e um dos três craques sobre a Salvador Rodrigues. Armazenista desempregado, casado e pai de uma filha, atuou entregando panfletos nas eleições anteriores e agora segura uma faixa de plástico com a imagem, o nome e o número de Jatene na parte central da passarela. De acordo com a Lei da Cidade Limpa, não poderia fixar qualquer objeto de propaganda no local de trânsito de pedestres, porém, honestamente, com um sol de rachar quem é que vai implicar se ele amarrar as hastes de madeira ao corrimão com um arame discreto e colocar a mão por cima? Uma gambiarra inofensiva e imperceptível, já que o material não está pendurado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SOQJdzIROOI/AAAAAAAAAiw/AOSp3K9qX0M/s1600-h/Teste4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5252333472966588642" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="321" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SOQJdzIROOI/AAAAAAAAAiw/AOSp3K9qX0M/s320/Teste4.jpg" width="201" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Barba por fazer, não é mais garoto e assim mesmo recebeu alguns lembretes dos coordenadores da campanha: não sujar o espaço público e não jogar nada na avenida. “Somos a imagem do cara”, diz, referindo-se ao representante do PTB e ciente da responsabilidade que lhe cabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes senta sobre um caixote, às vezes bate um papo com os colegas de labuta. Sobretudo, é um homem de opinião: não votará em Celso Jatene. Já para prefeito, escolheu o chefe de Josefa. “Minha expectativa é que o Kassab mantenha e acelere o que está fazendo. Se outro entrar, vai ter mudança e aí pára tudo o que já tem. A saúde no nosso bairro melhorou, mas emprego ainda está difícil”, aponta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de sexta-feira, Pontes deixará a passarela e voltará à fila dos desempregados. Com um boné para se proteger do sol.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-1708795565704081627?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/1708795565704081627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=1708795565704081627' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/1708795565704081627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/1708795565704081627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2008/10/passarela-eleitoral-gratuita.html' title='Passarela eleitoral gratuita'/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SOQJSUGZE2I/AAAAAAAAAio/c3IprL0AvbY/s72-c/Teste2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-4382718764946583759</id><published>2008-09-09T15:46:00.036-03:00</published><updated>2008-09-18T15:20:59.580-03:00</updated><title type='text'>Fragmentos da independência</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SMcK0HDVdbI/AAAAAAAAAig/IHHKzHUaaKc/s1600-h/Saxblog.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5244172181458744754" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="290" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SMcK0HDVdbI/AAAAAAAAAig/IHHKzHUaaKc/s320/Saxblog.JPG" width="292" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Dois dias antes do desfile de sete de setembro, o cadete da aeronáutica Thiago Almeida resolveu recepcionar os cariocas Renato Osório e Danilo Lima, também membros da força aérea brasileira, no Charme da Paulista. Levou junto o patriarca dos Almeida, senhor Carlos, um policial militar aposentado que brindou com todos no bar da Avenida Paulista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas um homem não integrava o grupo de segurança nacional, justamente aquele que não pagou por qualquer garrafa ou maço de cigarros, mas bebeu e fumou. Sem injustiça, às vésperas da semana da pátria, devo dizer que retribuiu o favor com música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao observar a aproximação de um trio de velhinhos empunhando bumbo, caixa e trompete, Gibran Santos, 28, entendeu o convite e juntou-se a eles para uma sessão de &lt;em&gt;Aquarela do Brasil&lt;/em&gt;. Pegou o sax soprano fabricado com canos de PVC e palhetas de EVA e improvisou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda falta passar fibra de vidro e resina para deixar o som encorpado: o instrumento vibra um pouco e não é capaz de sustentar as notas mais longas. Com esse último toque, não irá falhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quarteto formado pelos velhinhos e o saxofonista entoa alguma coisa que lembra ao senhor Almeida o hino do Corinthians. E ele canta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Corinthians graaannndeeee”.&lt;br /&gt;“Porra, você é palmeirense”, diz o filho.&lt;br /&gt;“Foda-se. Música é música”, revida o pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A boquilha é original e igual a de um sax comum”, explica Santos ao comentar que já vendeu cerca de 10 exemplares do modelo por até R$ 500. Normalmente, o preço é a metade disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz grave se opõe ao corpo franzino de adolescente e ao visual de &lt;em&gt;skatista&lt;/em&gt;: boina preta, calça e camisa largas. Gibran Santos cruza a cidade sobre uma tábua preta com quatro rodas azuladas e uma mochila escura. Leva também uma capa para o instrumento de sopro e para o afinador eletrônico adaptado à uma bateria de celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte do dinheiro para pagar despesas como o apartamento na Vila Madalena onde mora ao lado da atriz formada em Hotelaria, Carolina Mesquita, sai do patrocínio da marca &lt;em&gt;Skate Até Morrer&lt;/em&gt;. Outra fatia vem dos trabalhos &lt;em&gt;free-lancer&lt;/em&gt; de &lt;em&gt;barman&lt;/em&gt; e, claro, há ainda o pedaço que depositam após canções interpretadas no lado de fora do Museu de Arte de São Paulo (MASP), às terças, e na Praça Benedito Calixto, aos sábados. Por noite, tira algo entre R$ 20 e R$ 50. “No Brasil é osso. Tenho um amigo que mora na Irlanda e também toca na rua. Consegue tirar 600 euros. O máximo que consegui foi R$ 150 depois de oito horas de som em um dia de São Silvestre. Até judeu ajudou”. Foi uma bela jornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santos foi registrado em São Paulo, mas nasceu na cidade de Ponta Grossa, Paraná. Até 15 anos foi criado pela avó, mas resolveu vir para a capital paulista tentar a vida com o pai. A química não funcionou bem e optou por morar na rua. Dormiu diversas vezes na Praça Osvaldo Cruz, onde começa a Paulista. Aprendeu a ser auxiliar de cozinha e a fazer artesanato. Jamais pediu esmolas e desde cedo usou a arte como moeda de troca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dono de uma pizzaria e uma gaita lhe salvaram a vida. Fascinado pelo talento de um homem chamado Mutamba, o então adolescente começou a se aproximar do músico da Vila Madalena até que este aceitasse ensinar o domínio do instrumento. Inicialmente, o “professor” recusou. “Bebendo desse jeito, com essa idade, não vai longe. Nem vale a pena começar”, lamentou o mestre. Era a fagulha que faltava para maneirar com o álcool. Quem diria: inconscientemente adaptou-se aos novos tempos de Lei Seca. Só dirige &lt;em&gt;skate&lt;/em&gt; e um copo de cerveja já é o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As influências musicais vão de John Coltrane a Deep Purple. De Dire Straits a Tom Jobim. Gosta também “daquela mulher, como é mesmo o nome? Regina (pausa)...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Elis Regina”, digo.&lt;br /&gt;“Isso, minha memória não é boa para nomes.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após completar 18 anos, foi morar em uma pensão com a ajuda do pai. Em 2002, na garupa de uma moto foi atingido por um veículo que passava pelo cruzamento da Consolação com a Dona Antônio da Queiroz. Aos 22 anos, perna quebrada, resolveu buscar algo para passar o tempo e encontrar uma forma original de unir diversão e dinheiro. Lembrou do sax de bambu que comprou numa viagem ao Rio de Janeiro e começou a desenhar um aparelho com as ferramentas que possuía em casa. Surgiu o primeiro saxofone artesanal, cujo projeto já foi patenteado. A idéia é buscar patrocinadores para produzir em larga escala e oferecer a escolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Planeja ainda comprar uma casa junto com a namorada. Um lugar amplo que sirva de ateliê e oficina para desenvolver outros instrumentos como um trombone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desapegado a tudo, define-se como uma pessoa carente, que precisa de colo, mas “não sabe chegar”. A relação com o pai continua distante, tal qual o contato com a mãe, uma mato-grossense a quem só foi apresentado aos 22 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura &lt;em&gt;hippie&lt;/em&gt; lhe ensinou sobre o amor: ama os irmãos, inclusive aqueles que não conhece da parte materna. Ama a filha que mora em Itapevi com a ex-namorada. Ama tocar, conversar com os amigos, ler gibis e fumar um &lt;em&gt;porro&lt;/em&gt; toda noite antes de dormir para relaxar. “Vivi, curti pra caralho e não deixo de comer ou beber o que tenho vontade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ama, sobretudo, a liberdade. “É o que mais gosto em São Paulo.” &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-4382718764946583759?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/4382718764946583759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=4382718764946583759' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/4382718764946583759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/4382718764946583759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2008/09/fragmentos-da-independncia.html' title='Fragmentos da independência'/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SMcK0HDVdbI/AAAAAAAAAig/IHHKzHUaaKc/s72-c/Saxblog.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-1728684384062070006</id><published>2008-07-22T14:09:00.008-03:00</published><updated>2008-11-15T05:32:34.885-02:00</updated><title type='text'>Um casal para um Fusca *</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SIYXKK5bTHI/AAAAAAAAAf0/9Wp8ydvpFWk/s1600-h/Fusca.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5225889881101388914" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="201" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SIYXKK5bTHI/AAAAAAAAAf0/9Wp8ydvpFWk/s320/Fusca.jpg" width="257" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SIYV0Girr2I/AAAAAAAAAfs/XV48kPEz7tQ/s1600-h/Fusca.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Segundo a Associação Comercial de São Paulo, o bairro do Brás, de 190 anos de existência, possui 55 ruas, seis mil estabelecimentos e quatro mil fábricas, além do Fusca branco de Rosana Rodrigues, 44 anos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Na altura do número 1000 da Avenida Rangel Pestana, bem pertinho da Estação Brás de Metrô, ela passa boa parte das tardes deitada, “ouvindo black music”, da rádio Metropolitana, e olhando o movimento das pessoas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Mãe de três filhas e avó de duas netas, Rosana nasceu em Assai, cidade ao norte do Paraná, a quase 400 quilômetros da capital do Estado. Porém, nem teve tempo para experimentar a culinária com influência japonesa do município, já que se mudou no primeiro ano de vida para a cidade paulista de Guarulhos, onde foi registrada, e depois para Jacareí. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Aos 17, visitou São Paulo pela primeira vez e, entre idas e vindas, está na capital desde 2004, onde mora em um Fusca sem rodas e sem placa ao lado do marido, Emerson Santos, a quem &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;conheceu numa fila para pegar comida, no Pátio do Colégio, na região central de São Paulo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Há quatro meses estão juntos e dormem todas as noites no carro, outrora abandonado, atrás de um caminhão com placa BKO 2975.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;O casal vai para a cama cedo, às nove, 10 horas da noite, e acorda às sete da manhã. Santos costuma tirar entre R$ 20 e R$ 30, diariamente, com a venda do papelão que pega na rua. Algumas vezes Rosana o acompanha no trabalho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Uma das três filhas, a de 23 anos, já casou-se e mora em Jacareí, assim como as outras duas meninas (de 19 e 12 anos), que vivem com a avó delas. Apenas a de 12 sabe da vida da mãe e, mesmo assim, quando Rosana contou, achou que era “brincadeirinha”. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;A família de Emerson Santos, residente no Arujá, também não sabe que ele vive e sobrevive das ruas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;A “casa” praticamente resume-se a uma cama feita com uma porta sobre o assoalho, disposta no lugar onde deveriam estar os bancos da frente e os de trás do Fusca. Em cima da porta, além do colchão, dois travesseiros e um cobertor estão, cuidadosamente, organizados. Na parte onde ficariam os pés do carona, estão produtos de limpeza e cremes faciais que Rosana comprou “de umas pessoas que vendem essas coisas bem baratinho.” Ao lado dos frascos, repousa um par de sandálias brancas número 35, e o porta-malas faz as vezes de armário para guardar os copos, talheres e outros objetivos doados que eles não tem onde colocar.Sobre o painel de um dos veículos mais amados do Brasil, há um relógio grande, vermelho, desses que as pessoas costumam pendurar na parede da cozinha.Rosana, cabelos loiros, sorriso tímido, reclama do ambiente “super apertado” e, principalmente, da falta de uma televisão. O capacho, ao lado da vassoura que fica encostada na parte traseira do automóvel, é um pedaço de papelão, onde o casal limpa os pés antes de deitar para dormir, protegidos por uma lona vermelha sobre outra azul, amarradas às partes traseiras e dianteiras, que aquecem e garantem intimidade. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;“Ninguém nos incomoda e nunca pegaram nada nosso. É só não deixar as coisas para fora porque aí outros catadores podem levar.” É a lei da concorrência na terra da concorrência; São Paulo para todas as camadas sociais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Rosana Rodrigues e Emerson dos Santos ainda conseguem espaço para duas caixas vazias de detergente, com roupas que lavam em albergues, locais onde também alimentam-se, mas onde não pretendem viver. “Não gostamos porque não podemos dormir juntos e também tem muita disciplina. Tudo tem horário e é muito difícil arrumar vaga. Você consegue um lugar para domir à meia-noite e precisa acordar às cinco da manhã”, comenta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Vestida com uma regata preta, chinelos laranja e saia longa, colorida, ela joga uma camisa sobre as pernas para limitar minha visão sobre seu corpo e mantém no ouvido os pares de fone conectados ao rádio preto, agora, desligado. Assim permanece, mesmo quando pergunto sobre seus sonhos. “Não tenho muitos sonhos. Apenas não quero ficar morando num carro velho a vida toda. Mês que vem quero alugar um quartinho.”&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;*Reportagem orginalmente publicada neste blog no dia 13 de junho de 2008&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-1728684384062070006?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/1728684384062070006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=1728684384062070006' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/1728684384062070006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/1728684384062070006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2008/07/um-casal-para-um-fusca.html' title='Um casal para um Fusca *'/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SIYXKK5bTHI/AAAAAAAAAf0/9Wp8ydvpFWk/s72-c/Fusca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-519492789341690849</id><published>2008-05-27T12:24:00.010-03:00</published><updated>2008-11-15T05:32:35.215-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SDwoVVnW1tI/AAAAAAAAAeI/EEPI-Bd756I/s1600-h/gay2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205079616378033874" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SDwoVVnW1tI/AAAAAAAAAeI/EEPI-Bd756I/s320/gay2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Vestidos, buquês e paletós&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sábado, 28 de maio de 2008, véspera da Parada do Orgulho GLBT. Dia de casamento. O espaço está enfeitado com arranjos de flores: rosas, margaridas, crisântemos, véu de noiva e dois cordões de folhas pequenas pregados nas pontas de cada uma das cadeiras, no final das fileiras, divididas em dois grupos. São 136 assentos pretos com estofados vermelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo do auditório há um palco que costuma receber dirigentes sindicais, mas, nessa noite, comporta uma mesa branca de uns dois metros de largura, sobre a qual colocaram um pão do tipo italiano, duas velas amarelas, uma bíblia aberta, um cacho de uvas, um arranjo com as mesmas flores do corredor e um Menorá, espécie de candelabro de sete pontas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À direita do público que ocupa quase todos os assentos ficam três pedestais de microfones, os quais Luana Moreira, uma cantora de voz muito bonita e um piercing no lábio inferior direito, utiliza para ensaiar canções de louvor a Deus. Antes do início da cerimônia, os suportes iriam para a esquerda e dariam lugar aos noivos e ao pastor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto da cortina preta atrás da mesa, mais dois arranjos de flores com o dobro do tamanho daqueles em cima da mesa e daqueles próximos ao corredor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os padrinhos e os convidados, a maior parte formalmente vestida, começa a chegar. Na porta, José Antônio, mais conhecido como Tony, e Ricardo, membros da Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM), distribuem o roteiro da cerimônia, que apresenta também uma breve história da entidade e a lista de parceiros que apóiam a celebração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O panfleto traz, além do nome de parlamentares brasileiros e sindicatos, o Centro de Estudos das Relações do Trabalho e Desigualdades, a Associação da Parada do Orgulho GLBT em São Paulo e a Católicas pelo Direito de Decidir, “entidade feminista, de caráter inter-religioso, que busca justiça social e mudança de padrões culturais e religiosos vigentes em nossa sociedade, respeitando a diversidade como necessária à realização da liberdade e da justiça”, conforme define o release do grupo mais conhecido por defender a legalização do aborto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio comenta que alguns convidados confundiram-se com a presença da Igreja Nossa Senhora do Líbano, logo em frente, mas logo perceberam que o matrimônio para o qual foram convidados estava do outro lado da calçada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um telão de cerca de três metros começa a baixar do lado direito do público, esquerdo de quem está no palco. Mesmo com a decoração em tom primaveril, os quadros com imagens de assembléias e outros marcos do ramo químico permaneceram pendurados nas paredes do auditório do Sindicato dos Trabalhadores Químicos do Estado de São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às sete e quarenta da noite, com uma hora de atraso, a cerimônia começa. Primeiro, um vídeo que apresenta a ICM e destaca a trajetória do Reverendo Troy Perry. Nem primavera de Praga, nem maio de Paris. O que realmente aconteceu de importante em 1968 para aquele grupo de cristãos do segmento GLBTT que se reúne, pela primeira vez, para a celebração coletiva da benção de união de casais homoafetivos foi o nascimento, nos Estados Unidos da América, da Igreja da Comunidade Metropolitana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perry, homossexual norte-americano, acreditou, segundo o curta-metragem, no desejo de viver a mensagem de Jesus de forma a incluir. “Não há nenhum lugar no Evangelho em que Jesus tenha condenado a homossexualidade. Jesus veio e morreu por meus pecados, não por minha sexualidade”. Em silêncio absoluto, o público permanece atento ao vídeo do reverendo. Alguns homens, aconchegados no escuro da sala, encostam a cabeça no ombro dos companheiros. O mesmo acontece com um casal de mulheres, com tranças azuis nos cabelos. Ninguém olha abismado quando os casais se beijam ou passeiam de mãos dadas. No final, aplausos da platéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O orador pede a Beto de Jesus, representante da América Latina e do Caribe da Associação Internacional de Gays e Lésbicas e membro da direção da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros, para subir ao palco. Após um selinho no homem que segurava o microfone, ele diz: “nos tiraram muitos direitos e um deles é nossa profissão de fé. Estar aqui hoje é dizer que Deus, os deuses, as deusas são nossos e não vão nos tirar isso.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Odézia Rodrigues, da Rede Nacional de Religiões Afro Brasileiras e Saúde complementa: “eu venho de uma família católica, com tradição católica e senti na pele o que é preconceito. Tenho orgulho de encontrar as matrizes africanas, meu berço, meu axé”, disse, para depois falar sobre sua profissão e classificá-la como um ato de amor. “O amor ao próximo é saúde e quando lidamos com um enfermo não levamos apenas medicamento, mas também nossa vibração. Estamos aqui essa noite por amor.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às oito e vinte, após o DJ errar o fundo musical por duas vezes e colocar o início da Marcha Nupcial, os padrinhos descem a rampa íngreme do sindicato sob uma sinfonia que desconheço. O processo é rápido, dura menos de dois minutos e depois, novamente, a Marcha Nupcial toma o salão. Dessa vez, é a música certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início da fila, Suzane Araújo, 39 anos, e Noemi Miranda, 47, caminham lentamente sobre um tapete vermelho, trajadas com vestidos da cor prata. O casal que se conheceu em uma sala de bate-papo GLS na Internet e está junto há três anos, segue logo após Clarice, 18, e Gabriel, 20, respectivamente, filha e genro de Noemi, mas, nesta noite, madrinha e padrinho das noivas, que acomodam-se na primeira fileira de cadeiras. Trouxeram também Arthur, o neto de seis meses de ambas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noemi foi casada durante três anos (parece um número cabalístico) e há 17 está divorciada. Ele é professora há uma década, enquanto Suzane estuda para ser esteticista. “A cerimônia de hoje serve apenas para formalizar, porque já moramos juntas”, diz Suzane. Clarice, a filha, comenta que nunca teve preconceito, que acha normal a mãe casar com uma mulher. “Isso é graças à criação que ela teve”, comenta Suzane, a mais extrovertida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao lado de ambas, tanto Luiz Ramires e Guilherme Nunes, quanto Maria Venâncio e Marlene Sturari, os outros dois casais, permanecem de mãos dadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o sexteto à direita do auditório, o pastor Cristiano da Silva inicia o ritual. Entre agradecimentos a Deus (“damos-te graças porque esse amor foi capaz de vencer todas as barreiras”), ele comanda o evento. Há espaço, porém, para Yuri Orozco, apresentada como teóloga e feminista do grupo Católicas pelo Direito de Decidir, encaixar mais um discurso. “Estamos aqui porque acreditamos que um mundo mais humano e justo é possível.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a liturgia da palavra, Levi de Souza, um dos três cantores da noite, interpreta “Monte Castelo”, canção da Legião Urbana. “Um tempo sagrado e justo está começando. Celebramos as coisas boas da vida e hoje celebramos uma conquista: o amor de vocês”, retoma a palavra o pastor, que evoca justiça, importância do amor romântico e do divino. “Falaram que relações do mesmo sexo são pecaminosas. Não tocarás o divino! Deus nos criou para sermos livres e nos quer felizes. Hoje é tempo de rever nossos conceitos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juras de amor. Chegou a hora de trocar alianças que chegam numa bandeja de prata decorada com flores, e prometer fidelidade na felicidade e na desventura, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença. Prometer amar e querer até o dia em que morte vier. Chegou a hora do noivo beijar o noivo e da noiva beijar a noiva. Chegou a hora de descobrir que Suzane e Noemi são tímidas e apenas tocam os lábios após incentivo do público presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, para o pastor Cristiano Silva, o ápice de cerimônia é agora. Trata-se da última parte do ritual: a benção dos casais. A Reverenda Bispa Darlene Garner, então, faz-se presente diretamente do México. Coordenadora da região latino americana e da região do sul dos EUA da ICM, ele envia uma mensagem que o orador resume, “pelo adiantado da hora.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os noivos assinam o livro de registro de uniões da Igreja e, no alto falante, Elton John canta “Can You Feel The Love Tonight”, capaz de arrancar coreografias da platéia. Recém-casadas, Suzane e Noemi sobem para a quadra do sindicato, transformada em salão de festas. Levam numa mão um certificado e na outra um buquê, a sete dias do fim do mês das noivas. E dos noivos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-519492789341690849?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/519492789341690849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=519492789341690849' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/519492789341690849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/519492789341690849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2008/05/vestidos-buqus-e-palets-sbado-28-de.html' title=''/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SDwoVVnW1tI/AAAAAAAAAeI/EEPI-Bd756I/s72-c/gay2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-5117618968817969500</id><published>2008-04-29T11:10:00.007-03:00</published><updated>2008-11-15T05:32:35.541-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SBeSAV31UZI/AAAAAAAAAcw/vIgyupGdG6U/s1600-h/Os+cara5.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5194781229764137362" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 244px; CURSOR: hand; HEIGHT: 174px" height="197" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SBeSAV31UZI/AAAAAAAAAcw/vIgyupGdG6U/s320/Os+cara5.JPG" width="272" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Virada Cultural: viola para salvar a cidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda há esperança para a cidade. Foi isso que percebi logo na madrugada de sábado (26), quando tive de circular pelas ruas de São Paulo e vi dezenas de pessoas, montes de famílias andando sem competição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na manhã de domingo (26), enquanto caminhava do meu apartamento, na Rua da Mooca, até o Centro o cenário era idêntico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma bandeira do Flamengo pendurada na janela de um prédio decadente da Rua Carlos Garcia me fez lembrar que também era dia de Flamengo x Botafogo, primeira partida da final do Campeonato Carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma quadra depois, outra bandeira, agora do Palmeiras, que o vendedor ambulante negociava no semáforo, também dizia que seria o penúltimo passo na caminhada do verde rumo ao fim da fila, contra o time da Ponte Preta, no primeiro jogo da final do Paulistão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu destino era a Rua Canteira, entrada do Mercado Municipal de São Paulo, famoso pelos generosos sanduíches de mortadela. Dessa vez, porém, não fui para comer, até porque estava quase sem um puto no bolso. Ao menos até tatear a bermuda jeans preta e encontrar uma nota de R$ 5, perdida, que usei para comprar água e voltar para casa de metrô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei, então, em frente ao palco “Mercado Caipira”, parte da Virada Cultural que começou às 18h do sábado e se estendeu até às seis da tarde do domingo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de um fundo preto, João Mulato e João Carvalho me lembraram o senhor Sílvio Corrêa de Carvalho, meu pai, cantando junto, com os olhos marejados, as músicas dos grupos que se apresentam no Viola Minha Viola, programa de TV de Inezita Barroso. Histórias de praças, bares, boiadas, opressão, solidão, amores. Acima de tudo, verdadeiros tratados de honestidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vestido com terno e calça preta e camisa branca, o bigodudo Mulato, à esquerda, conforme reza a tradição – o primeiro nome da dupla fica sempre à esquerda – empunhava uma viola caipira e usava chapéu de boiadeiro. À direita, Carvalho, o ‘moderno’, vestia calça jeans e camiseta pretas e empunhava um violão de seis cordas. Nada mais, apenas dois instrumentos e duas vozes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A platéia, ao contrário do que esperava, não era formada apenas por velhinhos, minoria diante dos jovens e quarentões casais munidos de celulares e máquinas fotográficas digitais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O público parecia perplexo, hipnotizado diante de modas como a conhecida, “Chico Mineiro”, nome da canção mais famosa de Tonico e Tinoco. Quer dizer, famosa ao menos para mim que fui criado ao som de emissoras de rádio AM e locutores com Zé Bétio, do bordão “joga água no gordo”, e de vinhetas com sons de galinhas, vacas e outros animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as cerca de 200 pessoas, uma chamou minha atenção. De segunda a sexta, Nélson Filho, de 46 anos, é um engravatado advogado da Companhia Energética do Estado de São Paulo (Cesp). Aos finais de semana, um caipira que nesse domingo vestia chapéu preto de caubói combinando com os cintos e as botas e camisa branca de mangas cumpridas da mesma cor da calça. Visual corajoso para o sol intenso e o céu azul paulistano daquela tarde.&lt;br /&gt;Natural de Paraguaçu, cidade ao sul do estado de Minas Gerais, contou que já teve momentos de discoteca e funk (o de James Brown, não o carioca), mas “o contato com a música sertaneja remeteu-me à tradição, à raiz”, falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Houve um momento, há sete anos, que fui buscar mais verdade. São Paulo estava meio cruel. Durante cinco anos morei num sítio em Embu Guaçú e conheci pessoas humildes, que montavam muito bem, tem bastante coragem e me trataram muito bem, mesmo antes de saber da minha profissão”, disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eram amansadores de cavalo, donos de loja muito humildes”, complementou, enquanto eu reparava em dois anéis de ouro distribuídos nos dedos anular e mindinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido e criado no bairro do Limão, zona oeste de São Paulo, onde mora até hoje, conta que a influência musical veio do pai, também mineiro, que dançava catira e era Bastião na Folia de Reis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casado, ele tem cinco filhos - “como bom caipira e mineiro” – emenda rápido quando me surpreendo com a quantidade de rebentos. A preocupação, agora, é passar a ingenuidade, a beleza e a simplicidade para os herdeiros. “Eles não tem costume de sentar, ler, ir atrás da cultura. Nem é preciso ir tão longe, ele está por perto”, aponta em lamento tipicamente sertanejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto terminávamos de conversar, João Mulato e João Carvalho também encerravam o show, sob uma forte salva de palmas, que repetiu-se também com Jacó e Jacozito, Cacique e Pajé e Pena Branca, outros caipiras que acompanhei. Mulato agradeceu. “Parabéns à Virada Cultural por nos dar oportunidade de cantar para a gente sofrida e trabalhadora de São Paulo que merece esse lazer”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de deixar o lugar, resolvi tentar passar pela tenda que funcionava como camarim e abrigava Tinoco, responsável por apresentar algumas duplas. Emocionado, pedi um autógrafo em nome do meu pai e me empolguei ao contar a historia do meu velho, dos tempos em que ele trabalhava na roça, de como é fã de música caipira de raiz. Percebi que Tinoco exibia um sorriso meio amarelado, parecia não entender o que eu dizia. Foi então que Nadir, escudeira e esposa do ‘homem’ há 50 anos, me alertou-me de que um dos preferidos de meu pai não ouvia bem do lado esquerdo. Sem problema, mudei de ouvido e repeti tudo, do lado direito do sofá preto onde ele estava sentado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tarde do último domingo deixou-me uma certeza: ainda há esperança para a cidade dos caipiras, tanto aqueles em cima do palco quanto para os milhares que acordariam cedo na manhã do dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parti com o coração feliz. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-5117618968817969500?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/5117618968817969500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=5117618968817969500' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/5117618968817969500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/5117618968817969500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2008/04/virada-cultural-viola-para-salvar.html' title=''/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SBeSAV31UZI/AAAAAAAAAcw/vIgyupGdG6U/s72-c/Os+cara5.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-1608940823050567556</id><published>2008-04-22T14:46:00.013-03:00</published><updated>2008-11-15T05:32:36.973-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SA4nol31T5I/AAAAAAAAAXE/vueMDxgfwQQ/s1600-h/Borba+Gato80.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5192130998719303570" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 276px; CURSOR: hand; HEIGHT: 207px" height="230" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SA4nol31T5I/AAAAAAAAAXE/vueMDxgfwQQ/s320/Borba+Gato80.JPG" width="333" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;O Julgamento&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Com uma das agências do Itaú atrás de suas botas e carabina, um posto de gasolina da Via Brasil à direita, uma loja do Mc Donalds à frente e o edifício Bandeirante Borba Gato, de 17 andares, à esquerda, ele observava, imóvel feito estátua, uma manifestação diferente no último dia 19 de abril. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Quem sabe em outros anos, no “Dia do Índio”, tenha lembrado dos feitos que alguns consideram heróicos. Certamente, não aqueles que o cercaram na manhã do último sábado, em plena Praça Augusto Tortorello de Araújo, em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;De pés descalços sobre a grama, aos 16 anos, Marcos Oliveira, freqüentador do sarau da Cooperifa, deixou o Largo Treze, também zona sul da capital paulista, para engatilhar poesia. Os versos deixaram claro ao monumento de Borba Gato, diante do qual o garoto se posicionou, que a imagem do ‘desbravador’, ao menos entre a meia centena de representantes de movimentos culturais daquele lado da cidade, não é das melhores: “Essa terra tem mil deuses / um deles que me conduz / essa terra tem canções e cantigas / mas o ouro dos brasões / veio abrir nossa ferida / essa terra é muito antiga / essa terra é muito antiga / repousa os pés na estrada / a cada passada / o nosso descanso / embalado pelo canto / em qualquer canto / desbravando os brasis / se as veias estão abertas / seremos a cicatriz.” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Antes de Oliveira, Binho, idealizador de um sarau que acontece no Bairro do Campo Limpo, abriu a artilharia por volta do meio-dia, após cumprimentar a todos com um bom dia em guarani, que começou a estudar com um catalão na região da Avenida Cerro Corá. Assim declamou: “Gasolinar mendigos, indígenas / é o barato da playboyzada / fuder com povos e países / numa canetada só / é o caro dos pais da playboyzada / a herança é um roubo (parafuseando).” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;A ativista sócio-cultural Graça Cremon destacou: “Há algum tempo existe grande descontentamento em termos um herói como Borba Gato, com essa arma na mão, com essa proporção, na entrada de Santo Amaro. Em São Paulo, todas as rodovias, o Palácio do governo tem nome de referências da cultura opressora. O Brasil também é milenar, não temos apenas 500 anos. Queremos destacar também a cultura brasilista”, ressaltou ela, integrante de um movimento, segundo disse, sem coordenador, organizado, principalmente, via e-mails. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;As acusações &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Pesavam contra o réu, acusações de trabalho escravo de negros e índios, estupro de mulheres negras e índias, assassinato para obtenção de riquezas e poder e massacre de culturas nativas, tudo isso expresso no panfleto que chegava aos motoristas de ônibus e de automóveis parados em um semáforo próximo à praça. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Itamar Augusto, membro do Instituto das Tradições Indígenas (IDETI), organização paulista que surgiu em 1999, filmava tudo. “Não somos a favor de derrubar o monumento, mas queremos que saibam o que representa. Quais são nossos heróis? Você nunca vê a estátua de um índio num local privilegiado”, comentou. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Resolvi, então, observar Borba, apenas para tentar saber o que pensava sobre tudo isso, no alto do mosaico de pedras que o compõe. Notei apenas um ferimento em seu joelho esquerdo, porém, pelo que percebi, fruto do tempo, nada que tivesse sido causado pelos homens e mulheres de rostos pintados, que dançavam desengonçadamente ao som de Ceu, Mestre Ambrósio e outros nomes da MPB ‘moderna’ que habitualmente funciona como trilha sonora nos carros de som dos movimentos sociais. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Aos poucos, a imagem do bandeirante ganhava adereços como cartazes a seus pés. Um deles, marrom, pintado com caneta azul informava o que acontecia no local. Outro afirmava: “Eu converto ou mato o outro”. Como se fosse um desses homens-sanduíche do centro da cidade que vestem placas indicando, “vendo ouro”, uma garotinha de uns 10 anos trazia no peito, “somos todos índios”. Um dos mais interessantes, pendurado num arbusto no canteiro próximo à praça, lembrou outro desbravador paulista, o ex-prefeito, Paulo Maluf: “Estupra, mas não mata! Borba”. E por aí vai. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Findo o sarau, era vez da antropofagia. Em performance teatral, faltando quinze minutos para uma hora da tarde, a Companhia Antropofagia interpretou o Manifesto Antropofágico, de Oswald de Andrade. “Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval”, disse ele, há sessenta anos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Chegou, então, a hora do prato principal. Após distribuir três folhas que apontavam o papel da defesa e da acusação na encenação, Graça destacou para os dois lados: “vale o coro, todos são protagonistas”. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;O juiz abriu a sessão: “Estamos aqui porque produtores culturais, ativistas e cidadãos da cidade de São Paulo de Piratininga querem questionar a história oficial e, a partir dessa ação reconstruir a história do povo nativo: o nosso povo!”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Umas das fundadoras do PT e agora membro do PSTU, a atriz Dulce Muniz era uma velha índia que apontava os dados históricos sobre o etnocídio brasileiro. Ao lado dela, uma pequena intérprete representava os sobreviventes das aldeias brasileiras, tocando flauta, enquanto Dulce lembrava que o número de índios assassinados cresceu 61,4%, entre 2006 e 2007, segundo dados do Conselho Indigenista Missionário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que Borba pensou, “e ainda querem me julgar?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O promotor acusou e a defesa rebateu: “Povo ingrato! Povo Ingrato! / O acusado de fato / Merece trato de herói! / Tudo aquilo que constrói / Que o progresso traz de fato / Veio com esse cidadão / Que chamamos Borba Gato / Viu esse Pyndorama / Um lugar pra prosperar / Nos caminhos que abria / Riquezas a revelar / Pôs suas ordem na bagunça / Que considerou “geral” / E não digam que atuou / Para o bem de Portugal!” Seguem palavras de Dulce, do juiz, do promotor, novamente Dulce e, finalmente, o juiz decreta: “Quem decide aqui é o povo, isso é júri popular!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Borba Gato já sabia da sentença: culpado! Entre as penas propostas pelo público, “fica condenado a viver como estátua, estagnada, deteriorando com o tempo, sob o cocô dos pássaros”. Teve quem propusesse colocar grades ao seu redor “para mostrar que gente rica que estupra, mata, rouba também pode ficar presa”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais pragmático, Binho sugeriu que “o valor dos pedágios das avenidas que levam nome de jagunço fossem revertidos para as nações indígenas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atingida por poesia, música e teatro, a obra que surgiu em 1960, pelas mãos do escultor Júlio Guerra, permaneceu intacta, sem marcas de pichações, depredações ou qualquer avaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, como não poderia deixar de ser, sambão e festa. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-1608940823050567556?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/1608940823050567556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=1608940823050567556' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/1608940823050567556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/1608940823050567556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2008/04/o-julgamento-no-perodo-em-que-viveu.html' title=''/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/SA4nol31T5I/AAAAAAAAAXE/vueMDxgfwQQ/s72-c/Borba+Gato80.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-1304836274460232234</id><published>2007-09-01T00:04:00.000-03:00</published><updated>2008-11-15T05:32:37.354-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/RtjXetTwkFI/AAAAAAAAACw/yJz_Emx34x4/s1600-h/RomÃ£o+004.jpg"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5105067100182974546" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="221" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/RtjXetTwkFI/AAAAAAAAACw/yJz_Emx34x4/s320/Rom%C3%A3o+004.jpg" width="299" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Romão Gomes&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Luiz Carvalho&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A tranqüila Avenida Tenente Júlio Prado Neves nasce na Nova Cantareira, zona norte de São Paulo. A patente da via já entrega o que está por vir. Entre o canil da polícia e a associação dos oficiais da corporação fica o Presídio Militar Romão Gomes. À primeira vista, não fosse o respeito à hierarquia, expresso nas continências e na posição de sentido dos presos, que só se desfaz após o comando do capitão Walter Luco Júnior, poderia confundir o lugar com uma colônia de férias.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Logo após a portaria, dentro da qual os soldados sintonizam a Kiss FM, há uma praça que recebeu o nome de dignidade humana. Nenhuma porta se abre sem que a anterior esteja fechada. No armário de número 13 deixo meu celular, levo a chave e caminho rumo ao pátio onde os internos, perfilados e uniformizados, aguardam autorização para seguirem os respectivos caminhos. Alguns cumprem regime fechado e voltam para a cela ou seguem para o trabalho no próprio complexo. Outros já ingressaram no semi-aberto e partem para um emprego fora dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou o único visitante. Um ônibus repleto de alunos do curso de formação de soldados também estaciona logo após parar meu carro. A visita ao Romão faz parte da grade curricular. Trata-se de uma forma de mostrar o que acontece com quem recebe treinamento para servir à segurança pública e comete desvios em suas funções. Porém, “punição com respeito, independente da pena”, conforme observa o Major Antonio Spinieli, comandante interino do presídio e responsável por liberar minha entrada na casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob o toque da batida militar as atividades começam, por volta das nove, inclusive para os membros da banda de 12 internos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ala VIP&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Antes que eu comece a enfileirar perguntas, Spinieli me leva para tomar café da manhã com o comando. A mesa inclui frutas e pães franceses feitos por presos como José (*), 44. Ele cumpre pena de quatro anos por homicídio. Está no Romão Gomes desde 2005, e depois de um curso com Rogério Shimura, chefe de cozinha que costuma freqüentar programas de televisão, aprendeu a arte da confeitaria. Por dia, fabrica 800 pães, também distribuídos aos funcionários do canil, do COE (Comando de Operações Especiais) e aos bombeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a parada, passo pelo corredor da “Ala VIP”. À direita ficam as salas do major e do diretor do presídio. À esquerda a do capitão, toda a parte administrativa e o refeitório da cúpula. Nas paredes, frases para elevar a auto-estima, fotografias e o quadro de policiais do mês. Nessa manhã de quinta-feira, restou a Luco, homem esguio, de calvície acentuada, me apresentar as dependências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fala calma e articulada, o capitão saca um dos inúmeros cigarros que fuma durante a entrevista. Na estante ao lado da mesa onde mantém um computador com tela de cristal líquido ficam brinquedos como um navio pirata, um mago, uma guilhotina com um dos bonecos decapitados e uma vara de pescar que usa nos finais de semana com os filhos. “No começo é muito difícil trabalhar aqui porque sempre encontramos companheiros com quem estivemos”, fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sete reais o quilo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A laborterapia ou terapia ocupacional, sob o comando do capitão Edson Gonçalves, é o segundo passo do programa de gerenciamento do preso. Caso apresente bom comportamento e já tenha cumprido ao menos quatro meses do período de reclusão, o detento passa para o segundo estágio. Entenda bom comportamento como apego à alguma religião, à família e o civismo. “Se recebe visita tem algo a perder e a religiosidade pode mudar o coração dele”, acredita Gonçalves. A cada dia o culto de uma crença diferente acontece. De protestantes a reikianos, todos possuem um espaço para reuniões. Para os católicos e evangélicos, uma igreja espaçosa, decorada com papéis tingidos por anilina amarela, pendurados na parede. Aos adeptos da umbanda, que realizam o ritual às terças-feiras, um terreno nos fundos, onde o atabaque, o fumo e os cantos são liberados. Porém, se a entidade quiser cachaça vai ter que procurar em outro terreiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda fase do processo o interno deixa a cela e segue para alojamentos. O número de visitas aumenta para quatro, a ala íntima para uma hora e além dos familiares, já pode receber amigos. A principal mudança, porém, é a possibilidade de trabalhar internamente. Cada três dias de labuta abatem um na pena. As opções vão desde a fabricação de casinhas de cachorro, em madeira ou plástico, até produção de serviços voltados à comunidade, como lava-rápido e tapeçaria. Existem ainda aqueles selecionados para lidar com a terra e com animais. Neste último grupo está João (*), 55, 25 anos de PM. Ele cuida do “berçário”. Planta em espécies de bandejas os produtos de uma horta, que fica na parte de trás do Romão. Enquanto enxuga o suor da testa, conta que se aposentou há sete anos, em Araçatuba, cidade a 524 km de São Paulo. A conversa termina quando lhe pergunto o crime que cometeu. “Ih, melhor nem falar”. Ele cumpre pena por estupro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste lugar, homicidas, estupradores, latrocidas convivem sem distinção. A definição das celas ocorre de acordo com o perfil psicológico e não com o crime. Sempre identificados com um crachá, nenhum dos presos pode ser chamado por apelido ou pelo número. Normas da única detenção no mundo que ostenta o ISO 9001, um certificado de gestão da qualidade obtido em 2003. Basicamente, isso significa que da recepção à confecção do alvará de soltura, todo o processo dentro do sistema é descrito e planejado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal qual João, Jerônimo (*), 50, casado, pai de quatro filhas, condenado a nove anos por homicídio passa oito horas num lugar que lembra o ambiente de uma fazenda. Do próprio humor do PM ao rancho onde cozinha feijão num velho fogão, tudo tem um ar caipira. A missão de Jerônimo é cuidar dos porcos e das aves. De quebra, toma conta também de Macalé, um labrador preto “nascido e criado em regime-fechado”, como diz. O cão se assusta com nossa presença, late quando entramos nos chiqueiros e o preso logo comenta, “ele pensa que vocês são da corregedoria”. O pai de Macalé, Pedro Luís, também mora no presídio, mas vive no “semi-aberto”. Você sabia que a gestação de uma porca dura quatro meses? Você sabia que Cachaça, feliz pai de 13 leitões, também pode cuidar da segurança, tão bem ou até melhor que um cão treinado? Pois é, aprendi naquele dia. A suinocultura é parte da renda do lugar. O quilo da lingüiça custa R$ 7, mesmo preço do quilo do lombo e do pernil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No terceiro estágio do regime fechado o tempo de ala íntima passa para duas horas e o número de visitantes permanece o mesmo. Com exceção das crianças até 14 anos, todos passam por revistas íntimas. Os cabelos precisam ficar soltos e as mulheres devem se abaixar, de pernas abertas, nuas, por duas vezes para mostrar que não carregam nada dentro da vagina. As fraldas dos bebês são trocadas, diante de alguém do complexo penitenciário que acompanha o procedimento. Enlatados, vidros e caixas não entram. Cigarro pode, mas nunca em pacote, para não ser usado como moeda de troca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sem mofo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O primeiro passo e, imagino, o mais difícil para o policial militar condenado deve ser entrar na cela e deixar de ser seta para se transformar em alvo. Não há superlotação e nem sujeira nos espaços onde, inicialmente, os internos passam 22 horas. Não há cheiro de mofo, conforme observa o capitão. Mas há medo nos olhos dos novatos. Aqui acaba o clima de clube de campo. Os espaços de seis por seis metros abrigam, em média, 12 pessoas divididas em treliches. As camas levam os nomes dos internos, assim como os armários que não tem lugar para trancas e normalmente servem de suporte para aparelhos de televisão. O banheiro, mais ou menos do tamanho do quarto do meu apartamento, também está limpo. Nessa ala fica ainda uma espécie de solitária, aí sim, um pouco menor, do tamanho da cozinha lá de casa, sem espaço para TV, somente com beliche, privada e pia. Como em presídios “comuns”, no setor há uma pequena quadra, sobre a qual passa o varal onde as roupas ficam penduradas. Dois carcereiros, em turnos de 12 por 36 horas garantem a segurança. A função fica sempre a cargo de cabos, PMs em início de carreira como Luiz Antônio Pereira, natural de Guarantiguetá. Dois anos de polícia, um de carceragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trabalho de Pereira é facilitado pela característica do presídio. Não vale a pena fugir, principalmente porque uma fuga significa a transferência para uma penitenciária comum. Trocariam a tranqüilidade pela tensão de viverem como cordeiros no meio de uma alcatéia. Por isso não existem muros, somente frágeis cercas e câmeras espalhadas por todos os lados.&lt;br /&gt;Foi a necessidade de separar os militares dos presos “civis” que deu origem ao Presídio Militar Romão Gomes, em 1927. Contudo, apenas a partir de 1949 ele passou a funcionar na Serra da Cantareira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Joana faz de conta&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No total, são 236 pessoas. A mais velha tem 73 anos. São 180 em regime fechado e 56 no semi-aberto. Sete são mulheres. Joana (*), 32, viúva, é uma delas. Aos 24 anos realizou um sonho de infância: se tornar policial, igual à irmã e à mãe, policiais civis. Aos 30, a trajetória foi interrompida graças a um crime passional. Já cumpriu dois anos e oito meses na ala feminina. Têm mais uma década pela frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela está dentro das estatísticas. Homicídio corresponde a 84 dos casos de condenação no Romão, seguido por roubo. Os presos que recebem a sentença de até dois anos podem voltar às atividades. Para os condenados a um período superior resta o caminho da exoneração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher do interior paulista, atualmente em regime semi-aberto, prefere imaginar que está aquartelada. Assim consegue aplacar a saudade dos três filhos que moram com a mãe, também no interior. Conversa com as crianças por carta e telefone, mas ver mesmo, devido à distância, somente a cada dois meses, nos períodos das saídas temporárias. “O que você vai fazer quando sair daqui?” “Quero conseguir uma bolsa para um curso de auxiliar de enfermagem e voltar ao mercado de trabalho”, planeja. Foi o que sobrou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Osvaldo (*), 43, tem duas coisas em comum com Joana. Primeiro, realizou o sonho de criança e se tornou militar, da mesma forma que o tio, coronel do exército. Segundo, finge que está no quartel durante a semana e um domingo por mês, quando vê a mulher e os dois filhos, tenta acreditar que está em casa. Tudo para preencher o vazio. A parte mais difícil foi ficar distante da esposa no período da gestação do caçula, depois que ela engravidou, entre um e outro encontro durante as visitas íntimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As semelhanças param por aí. Condenado a 26 anos e 8 meses por latrocínio, ao contrário da companheira de profissão, ingressará com pedido de reintegração na Justiça Militar. Se não for possível, quer ganhar a vida como desenhista profissional, função que desempenhava antes de começar a servir o Estado, 13 anos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Abaré está com gota&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No último ato, o diretor do presídio, Tenente Coronel Abaré Vaz Lima, diz que consegue tratar colegas, com os quais conviveu um dia, como qualquer interno. “Quando ele entra aqui se torna um preso comum. Inclusive, temos três homens que trabalharam comigo e com os quais não mantenho conversa social”, decreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis um homem que sabe separar os lados pessoal e profissional, irrepreensível, com um ar austero, atrás do bigode negro. Ao contrário dos profissionais da área administrativa, como Luco, que vestem camiseta branca e calça de agasalho azul, o tenente está fardado. Por fim, se desculpa. “Não pude ser um bom anfitrião. Esta perna...”, e aponta para o joelho esquerdo. Ele manca. Acha que é gota. “Talvez, culpa dos cigarros, da cafeína...” Cigarro e café fazem mesmo mal à saúde. ■&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(*) Para preservar a identidade dos internos, os nomes com asterisco são fictícios.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-1304836274460232234?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/1304836274460232234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=1304836274460232234' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/1304836274460232234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/1304836274460232234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2007/09/romo-gomes-luiz-carvalho-tranqila.html' title=''/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/RtjXetTwkFI/AAAAAAAAACw/yJz_Emx34x4/s72-c/Rom%C3%A3o+004.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-8039062080358162946</id><published>2007-08-17T22:55:00.001-03:00</published><updated>2008-11-15T05:32:37.530-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/RsZR1dTwkBI/AAAAAAAAACM/SOu4W3pj5_U/s1600-h/Boxe+010.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5099853606886084626" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" height="214" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/RsZR1dTwkBI/AAAAAAAAACM/SOu4W3pj5_U/s320/Boxe+010.jpg" width="273" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Papa x Nascimento&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Luiz Carvalho&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já são mais de dez da noite, quando Hugo Papa e Fábio Nascimento sobem ao ringue, montado sob o viaduto Alcântara Machado. O primeiro veste camiseta regata cinza, calção preto e sapatilha azul. O segundo, uma camiseta vermelha com o número 93, calção preto e sapatilha vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite é de final. Papa e Nascimento se enfrentam por um troféu que simboliza o título de campeão amador dos super-pesados. Na prática, a liga não existe, ao menos não ali, mas isso não faz a menor diferença, tanto para os boxeadores quanto para o público que se acomoda nas cadeiras de plástico. Como em disputas profissionais existem juízes, paramédicos e uma ambulância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela primeira vez eu assisto, ao vivo, a uma luta de boxe. Como ex-balconista de boteco já vi pessoas brigarem armadas com cacos de garrafa e tacos de sinuca, mas observar dois caras trocarem porrada, assim, tão próximos, numa mistura de fúria e prazer, parece muito mais violento e excitante. O som de cada soco na face oposta se valoriza graças às luvas e às máscaras de proteção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das lâmpadas instaladas sobre o tablado, uma espécie de semáforo, pendurado no teto, com duas luzes amarelas acesas, dá um ar glamuroso ao espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre um round e outro, Luiz Gozanga, o DJ, comanda o som com músicas que ele não sabe de quem são.“O que o senhor toca aí?”“Ah, sei lá, coisa agitada” – ele responde.No porta CDs do senhor de bigode e cabelos brancos reconheço clássicos da black music da década de 1970, como Marvin Gaye e James Brown. Em cima do aparelho de som, claro, a trilha que não poderia faltar: “Rocky, o lutador”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arena é um dos núcleos do programa de Garrido. Você já deve ter ouvido falar nesse cara. Dezenas de programas de TV já o entrevistaram, graças à academia que ele mantém no Viaduto do Café, na Bela Vista.&lt;br /&gt;Agora ela já possuí equipamentos profissionais, mas sua fama cresceu porque usava a criatividade para produzir materiais de treinamento. Para levantar peso, os alunos utilizavam barras de ferro com latas cheias de cimento, nas pontas. Pneus pendurados em cordas faziam as vezes daqueles sacos que servem para aprimorar os socos. Como a ponte onde treinava os pupilos passa por reformas, a prefeitura cedeu um outro espaço para que dê continuidade ao trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Apanhar e bater&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;De volta ao confronto, Nascimento, 110 quilos, recebe instruções da equipe formada por três pessoas. Uma delas funciona como uma espécie de assistente. Ajuda a colocar a luva, leva água, faz curativos e coloca o protetor bucal. As outras duas, além de cuidarem das instruções técnicas, dividem-se entre anotar os pontos fracos do adversário e abanar o próprio lutador. Na outra ponta, Papa, na altura de seus 124 quilos, recebe tratamento idêntico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São três rounds e logo após o gongo soar já é possível perceber que a vida do rapaz de camiseta cinza não será fácil. Com apoio da platéia, Hugo Papa dispara diretos e cruzados desnorteados. Ambos estão nitidamente acima do peso e praticam o jogo de apanhar e bater, sem estratégia nenhuma. Mas o homem da camiseta vermelha parece ter maior vigor físico e objetividade.A superioridade de Papa continua no 2.º round. A capacidade de Fábio Nascimento em se manter em pé é impressionante. No terceiro assalto, a grande preocupação dele parece ser evitar o nocaute. Consegue, mesmo após ser levado às cordas por diversas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para todos os expectadores e para mim parece óbvio: Papa venceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, um “pequeno” imprevisto. O árbitro, Walter Andrade, tira as luvas do suposto vencedor e o desclassifica por usar bandagem cruzada entre os dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem anuncia o resultado no microfone é Garrido, elegantemente vestido com terno e calça social cinza. Cabelo black power, cavanhaque, sob protestos afirma, “regras são regras e devem ser respeitadas.”&lt;br /&gt;Os integrantes da equipe do perdedor reclamam, tentam dialogar, sorriem ironicamente, mas não há mais o que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunto a Andrade&lt;/strong&gt;, membro da confederação brasileira de arbitragem da categoria o motivo da desclassificação. Ele explica que a suposta artimanha não é permitida entre amadores porque aumenta a potência dos golpes.Insatisfeito, Papa se prepara para ir embora na Van que o trouxe de Mogi-Guaçú. Segue ao lado do treinador, Fernando Fumaça, lutador profissional da categoria Super-Pena, da mãe, dona Otília, do primo e da sobrinha. “O resultado foi injusto. Em todas as lutas eu amarrei a faixa da mesma forma e nunca disseram nada. Agora, só porque vencemos um atleta da casa eles agem dessa forma”, diz Fumaça. Explico: Fábio Nascimento treina todos os dias com o Garrido, ao contrário de Papa, que não faz parte da equipe do dono do núcleo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado, já na rua escura paralela ao local do combate, o vencedor é só alegria. Caminha ao lado dos amigos com o imenso troféu nas mãos, rumo à estação de trem onde embarca para Cidade Tiradentes, periferia de São Paulo.&lt;br /&gt;Aluno desde o início do ano da academia sob a ponte na Mooca, trabalhava como segurança de um bingo durante o dia e treinava, de segunda à sexta, no período da tarde. Sem emprego, ironicamente, por um lado tem mais tempo livre e por outro precisa economizar para conseguir juntar dinheiro e pagar a condução até o local do treino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ah, o amor.&lt;/strong&gt; Depois de uma noite inteira de socos, é hora de nos tornarmos românticos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem expectadores, cinegrafistas e o fotógrafo que ficou irritado ao sentenciar que sou antiético por tirar fotos e escrever matérias, ocupando, assim, seu lugar no mercado de trabalho, o dono da festa se senta ao lado da mulher, Cora Garrido. Negra, como ele, se mantém em silêncio atrás dos óculos, enquanto o marido sorri e dissimula quando trato de qualquer assunto sobre a vida particular de ambos. Se recusa a dizer onde a família mora e diz preferir falar do projeto, atrás da mesa de escritório equipada com um computador no qual estão armazenados os dados das pessoas ligadas ao programa que comanda. Ao nosso lado, sofás, um fogão e uma mesa de madeira são parte da decoração dos "ambientes" da "casa".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garrido conheceu Cora debaixo de um viaduto. Na época trabalhava como segurança e tomava conta de algumas crianças que viviam na Praça Ramos. Morava nas calçadas da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Numa noite chuvosa, ela – a esposa – apareceu e me viu todo sujo, com uma enxada na mão e chapéu de Sassá Mutema. Eu sempre pedia ajuda a Deus e um dia ele me atendeu. Temos os mesmos ideais”, lembra, antes de destacar a importância da mão solidária da parceira no início de uma academia sob a ponte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho ao redor e vejo faixas com nomes de políticos.“Essas pessoas que tem os nomes estampados nas grades te apóiam?”“Tem gente que tira proveito onde não deve. Aquele vereador – aponta para uma das faixas – contribuiu financeiramente para a realização de um torneio, mas eu disse ao jornalista que pregou isso aqui que campanha política fora da época de eleição é crime. Se alguém quiser uma soma com o Garrido, tenho um preço, mas vamos discutir fora daqui”. Ninguém é inocente em São Paulo. Nem Garrido, nem eu.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-8039062080358162946?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/8039062080358162946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=8039062080358162946' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/8039062080358162946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/8039062080358162946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2007/08/papa-x-nascimento-luiz-carvalho-j-so.html' title=''/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/RsZR1dTwkBI/AAAAAAAAACM/SOu4W3pj5_U/s72-c/Boxe+010.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-6209035037457385246</id><published>2007-08-14T15:52:00.000-03:00</published><updated>2008-11-15T05:32:37.832-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/RsH7HM3FJqI/AAAAAAAAACE/etbP3yCL8tM/s1600-h/Bolivia+002.jpg"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5098632354290017954" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/RsH7HM3FJqI/AAAAAAAAACE/etbP3yCL8tM/s320/Bolivia+002.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;De volta à Rua Coimbra&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Luiz Carvalho&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Descobri a Rua Coimbra por acaso. Até me casar e morar no bairro Bresser, ao lado da estação de Metrô de mesmo nome, acreditava que aquele pedaço da zona leste era reduto de italianos. As raízes da minha esposa reafirmavam essa idéia. Filha de um napolitano com uma brasileira, neta de napolitano, minha então namorada morava no começo da Rua da Mooca –onde vivo hoje. Ela torcia para o Palmeiras, como heroicamente ainda faz, e mantinha a tradição de comer macarrão no almoço de todos os domingos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, numa noite nublada de sábado, quando procurava uma adega para comprar um garrafão de vinho, me perdi e fui surpreendido por homens e mulheres com feições indígenas num lugar onde os letreiros dos restaurantes são grafados em espanhol. Inicialmente, pensei, “caraca, andei tanto que saí em La Paz”, mas se tratava de um encontro da comunidade boliviana em São Paulo, que costuma ocupar as páginas de jornais apenas quando o assunto é trabalho escravo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último sábado, caminhei novamente entre os três quarteirões da mesma rua, dessa vez com um número bem menor de pessoas na feira que existe há um ano no coração da região do Bresser. Primeiro, porque cheguei três horas antes do pico da festa, que acontece por volta das sete da noite. Segundo, porque era mais um dia de comemoração no mês da independência da Bolívia, e muitos estavam no Memorial da América Latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre salões de cabeleleiros, vendedores de produtos típicos e computadores com acesso à Internet, improvisados nos fundos das lojas, os imigrantes tentam manter a memória viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gente como Maria Montano&lt;/strong&gt; fala pouco. Ela vive há três anos no Brasil, país para o qual mudou devido a falta de emprego e dificuldade de estudar na terra natal. Durante a semana trabalha numa confecção. Aos sábados, vende CDs de música folclórica, cumbia e salsa. O hitmaker, entre os discos de MP3 que organiza sobre uma tábua de madeira é Yuri Ortuño.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poucos metros dela, Juan Carlos, Juan Carlos (não é erro de digitação, são dois Juan Carlos mesmo) e Jhonny jogam pebolim por R$ 0,15 a ficha. Cada uma dá direito a três bolas. Graças ao baixo custo, as mesas desse tipo de jogo se espalham pelas calçadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvo parar em uma casa que vende material para confecção, especialmente linhas, distribuídas em carretéis no formato de cone. Lá, Joana Lopes me recebe. Desconfiada, ela tem mais perguntas a fazer do que eu. Tasco logo uma mentira e digo que a entrevista é parte de um trabalho para a universidade.&lt;br /&gt;“Qual?” – ela pergunta.&lt;br /&gt;Dessa vez sou quase honesto. “Universidade Santo Amaro”, onde um dia estudei.&lt;br /&gt;“Ah, tá” – faz um ar de que não conhece. “Qual curso?”&lt;br /&gt;“Jornalismo” – digo.&lt;br /&gt;“Hummm” – murmura, sem grande simpatia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Talvez fosse melhor dizer psicologia. Na minha área, especialmente nessa região, vale mais ser um amador do que um profissional em busca de outro furo de reportagem. Nós chegamos, denunciamos, os deixamos sem emprego e ameaçados de morte por colaborarem, involuntariamente, com uma matéria que alguém lerá e esquecerá assim que sair da frente do computador para ir ao banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joana para por alguns segundos diante de um cartaz das Agulhas Orange, que ostenta a bandeira brasileira ao fundo. Diz que conheceu o Brasil por meio de estudantes universitários que fazem intercâmbio na Bolivia. Cala-se e, de repente, desaparece no fundo da loja. Reaparece com Luís Vasquez, Presidente da Associação de Moradores Bolivianos da Rua Coimbra (AMRC), com quem começo a conversar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tímido, ele sorri de canto de boca e quando tento fazer a primeira pergunta me interrompe e diz.&lt;br /&gt;“Olha, me manda um e-mail que eu te respondo. A maior parte dos jornalistas só associa nossos irmãos à escravidão”, critica. Aceito seu pedido, mas, aos poucos recomeço o papo para quebrar o gelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ele, mesmo diante do trabalho degradante nas fábricas de roupas, é melhor imigrar do que ficar e enfrentar as desigualdades. A maioria do seu povo sai de zonas rurais como a parte de La Paz que faz divisa com o Peru. O presidente da AMRC me explica que a luta pela concorrência faz com que o valor dos salários diminua cada vez mais na região central de São Paulo. Cerca de somente 3% do valor final do produto chega até o empregado, que recebe por peça. Sem condições de pagar um lugar para morar e diante da necessidade de produzir cada vez mais, muitos vivem onde trabalham. Com o tempo, o salário se torna um prato de comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os coreanos, que substituíram os judeus&lt;/strong&gt; na região da 25 de março, agora são os chefes. Antes, faziam o que os bolivianos fazem. Num rompante de humor, Vasquez filosofa.&lt;br /&gt;“Talvez um dia nós assumamos o posto dos coreanos e coloquemos os uruguaios no nosso lugar”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alguns minutos recebo uma pequena aula de história. No trecho oriental do país de Luís Vasquez ficam as classes mais ricas e no Vale, de onde saiu o atual presidente, Evo Morales, os mais pobres. Na parte ocidental está a região do Altiplano. Assim como muitas vezes ouvimos por aqui, há uma onda separatista por lá, o desejo de implementar uma “higienização social”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Migrantes e imigrantes são muito parecidos. No Brasil, basta substituir o Nordeste pelo Vale, o Oriente por São Paulo e o sotaque castelhano por expressões baianas, paraibanas, cearenses. O desejo de juntar dinheiro e voltar para a terra de origem é o mesmo. A ânsia por manter a cultura viva também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, há uma grande diferença quando se trata da capacidade de indignação.&lt;br /&gt;“Aqui, o ônibus vai de R$ 2 para R$ 2,30 e ninguém faz nada. Na Bolívia, a passagem tem o mesmo preço há 10 anos e qualquer coisa é motivo para mobilização política”, observa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aos 21 anos, Cyndi Martinez Hurtado&lt;/strong&gt; comanda uma das quatro agências que o pai, Hervin Gonzalo Hurtado mantém. A jovem, nascida em Belém do Pará, conta que Hurtado desembarcou por aqui há 33 anos. O avô de Cyndi tinha uma amante brasileira e resolveu raptar o filho e morar aqui. Porém, o romance acabou e o filho foi abandonado, aos sete anos. Hoje, além da loja na Rua Coimbra, a família possui uma unidade na Casa Verde Alta, outra no Pari e mais uma no Bom Retiro. Todos são bairros com um grande número de bolivianos, nacionalidade de todos os funcionários que auxiliam Cyndi, a filha mais velha de uma família de três irmãos. Sem nenhum traço dos ancestrais, a não ser a fluência na língua espanhola, ela oferece por R$ 0,70, o minuto, ligações para qualquer parte da Bolívia. Os clientes compram tíquetes e entram numa cabine transparente equipada com mesa, cadeira e velhos aparelhos telefônicos. Um computador controla o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Formada em administração, destaca que a discriminação é uma pedra no sapato de alguns povos que chegam ao Brasil, especialmente os sulamericanos.&lt;br /&gt;“As crianças são as que mais sofrem. Como os pais passam a maior parte do tempo nas oficinas de costura, se dedicam pouco aos filhos. Muitos são alvos de brincadeiras cruéis porque freqüentam a escola com roupas rasgadas e sujas. No Orkut, já li pessoas escreverem que somos ‘japonegros’”, diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próximo passo é cursar direito para poder ingressar na Polícia Federal. A idéia é ajudar os imigrantes com a regularização dos documentos, processo que, atualmente, demora até três anos para ser concluído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nos despedirmos, ela ainda me ensina um pouco sobre meu país.&lt;br /&gt;“Você sabia que a Praia de Copacabana tem esse nome graças à Nossa Senhora de Copacabana, uma santa boliviana?”, pergunta. Eu não sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Antes de entrar num dos restaurantes&lt;/strong&gt; que vendem Chincarron de Chancho (receita que leva carne de porco), por R$ 10, tentei entrevistar um cabeleleiro, mas todos os salões estavam lotados. Perguntei a um dos funcionários se o dono poderia me atender e ele respondeu, “não, está peruqueando”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;No final da rua, Fernando Coronado entrega panfletos diante da Peluqueria Los Andes. Há cinco anos no Brasil, conta que é casado com uma conterrânea e tem dois filhos brasileiros. No lugar que ajuda a divulgar, mais de 80% da clientela possui as mesmas raízes de Coronado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um amplificador conectado ao computador aumenta o alcance da rádio Chacaitaya, que o rapaz sintoniza via internet. Talvez ele não saiba, mas o que faz explica o termo globalização muito melhor do que qualquer especialista dos cadernos de economia dos grandes jornais da cidade.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-6209035037457385246?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/6209035037457385246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=6209035037457385246' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/6209035037457385246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/6209035037457385246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2007/08/de-volta-rua-coimbra-luiz-carvalho.html' title=''/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/RsH7HM3FJqI/AAAAAAAAACE/etbP3yCL8tM/s72-c/Bolivia+002.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-2304725150935062697</id><published>2007-08-05T02:47:00.001-03:00</published><updated>2008-11-15T05:32:38.170-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/RrVkpc3FJlI/AAAAAAAAABU/rRNxdnUTxNE/s1600-h/Materia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5095089216724215378" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/RrVkpc3FJlI/AAAAAAAAABU/rRNxdnUTxNE/s320/Materia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Orações e ações&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Luiz Carvalho&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Durante alguns minutos, parei na altura do número 900 da Rua Dr. Almeida de Lima, na Mooca, para observar uma fronteira imaginária que dividia diferentes desejos e pesadelos. Na calçada do lado ímpar, nos bares próximos à Universidade Anhembi-Morumbi, adolescentes com os nomes dos cursos pintados na testa lembravam que as aulas recomeçaram. Na calçada do lado par, uma fila de adultos suados, principalmente idosos, lembrava que em minutos o Restaurante Bom Prato abriria as portas para quem quisesse comer em troca de R$ 1 ou 25 latinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O programa do governo estadual que funciona num espaço cedido pelo complexo chamado Arsenal Esperança é apenas parte dos serviços da instituição. Por trás do imenso muro bege e dos portões pretos de ferro existem dormitórios, biblioteca, circo, lavanderia, escritórios, uma pequena igreja, um cheep dog chamado Tobi, salas de aula, além do belíssimo jardim e da fonte junto a duas paredes nas quais alguém pintou: “a bondade desarma”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lorenzo Nacheli e eu nos sentamos num banco de madeira, sob o sol da manhã. Vice-coordenador da unidade brasileira, ele conta&lt;br /&gt;que tudo começou com um senhor chamado Ernesto Olivero, fundador do Servizio Missionário&lt;br /&gt;Giovani (Semig) ou Serviço Missionário de Jovens, no ano de 1964, em Turim, na Itália.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome, Arsenal da Paz, foi inspirado na sede da entidade, uma fábrica abandonada que um dia serviu para produzir armas utilizadas por soldados italianos durante a Primeira Guerra Mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A barba cumprida envelhece&lt;/strong&gt; o homem de 35 anos com quem converso. Apesar de viver há oito no país, o sotaque deixa claro que ele não é brasileiro. Os acolhidos se transformam em “acoidos” e o ‘r’, de rua, perde a força. Os chinelos com meias e o agasalho de moletom passam a impressão de pouca preocupação com a imagem, nenhuma vaidade. A resposta vem da sua opção. Trata-se de um consagrado leigo, fatia do Semig que não se casa e decide doar a vida à caridade. “Na Itália e nos EUA, muita gente vive na rua por opção, para fugir da sociedade. No Brasil, a maior parte é obrigada a viver essa opção por problemas com drogas, álcool, abuso sexual e falta de emprego”, acredita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lorenzo faz questão de frisar que a filosofia do espaço é adotar princípio diferente de um albergue, onde a ajuda se restringe a cama e comida. “Nosso trabalho é acolher pessoas, estruturá-las e depois ajudá-las a encontrar um caminho. Formamos um berço bonito, mas que leva os homens a desejarem sair daqui”, diz. Segundo ele, após passarem por uma triagem, os candidatos à acolhida recebem uma espécie de roteiro de reinserção. Um grupo de assistentes sociais trata do acompanhamento dessas pessoas nas áreas de educação, saúde e documentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele diferencia os acolhidos em dois grupos: moradores de rua e moradores em situação de rua. “Qual é a diferença?”“No primeiro grupo estão pessoas que já não se enquadram mais em regras, horários e por isso não querem viver em um lugar como o nosso. No segundo, estão aqueles para quem as calçadas são um lar provisório”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para Marcos Silva, 43, o problema&lt;/strong&gt; não é a dificuldade em seguir normas. Ele deixou a instituição após três anos de convivência, um curso de cabeleleiro e um de escultura pela Anhembi-Morumbi. Em 2004, quando saiu, alugou um quarto com um amigo. Mas, a falta de grana o obrigou a viver nos espaços por onde nossos passos apertados passam. “Já na época em que vivia aqui, trabalhava com reciclagem, catando papelão e garrafas pet. Após um tempo, essa se tornou minha única forma de sobrevivência e como não podemos deixar nossos carrinhos na Arsenal, precisei fazer uma opção”. Por volta das três da tarde ele é um dos últimos na fila para o almoço. Com cortes de cabelos particulares fatura até R$ 40 por mês e consegue dinheiro para comer. Seu sonho é montar uma ONG que produza conhecimento para lutar contra a poluição dos mares.De fala fácil, conta que a mãe, alcoólatra, não deixou o pai registrar nenhum dos filhos porque dizia que ele poderia lhe tirar as crianças. Aos 14 anos, após ser mandado embora inúmeras vezes, Marcos deixou a casa onde vivia com mais seis irmãos para ficar sob proteção de um padre, que o acompanhou até completar 18 anos. Aquele cara magro, baixo, de cabelos raspados, afirma ter enterrado 25 fetos no quintal de casa, fruto de abortos maternos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pausa na entrevista. Uma lágrima escorre no rosto do homem com quem encerro o papo e de quem ouço um “boa sorte.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A instituição chegou ao Brasil&lt;/strong&gt; pelas mãos do governo Mário Covas (1995-2001), em 1996 e passou a ocupar um espaço que funcionava como casa de acolhida, abrigo para menores do SOS Criança e para mulheres com deficiências mentais. Por meio de Dom Paulo de Evaristo Arns, Covas procurou a Semig, que resolveu enviar três missionários para iniciarem o trabalho em terras brasileiras. Porém, o início da história do local remete ao final do século 19, quando o Visconde de Parnaíba construiu a Hospedaria dos Imigrantes para abrigar povos que chegavam ao país. Até 1950, mais de seis milhões de estrangeiros passaram pelo lugar onde o grupo italiano atua hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A convite de Lorenzo, Antônio Paladino, presidente da Arsenal, se junta a nós. Alto, cabelos grisalhos, óculos grandes, se move de forma ágil, apesar de mancar da perna esquerda. Enquanto caminhamos, ele conta como chegou até ali. “Me converti à proposta porque achava que fazia muito pouco como cristão, além de rezar. Nenhuma oração é completa se não for precedida de uma ação”, acredita o pai de três filhos e avô de quatro netos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No imenso refeitório, uma grande quantidade de velhos come ao lado de uma legião de motoboys da região e jovens que deixam ao lado do prato sacos de balsa para venderem nos semáforos. Juan, nove anos, segundo filho de uma família de sete irmãos, almoça ao lado de Anderson, amigo de 14 anos. Ambos moram na Mooca e, desconfiados, não querem papo, nem mesmo quando tento puxar assunto sobre futebol. Nenhum adulto os acompanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Paladino, Lorenzo e eu cruzamos a quadra para ir à lavanderia, um acolhido questiona o presidente sobre um torneio de xadrez que acontecerá em breve.“Dizem que xadrez é bom para formar estrategistas”, comento.“Isso eles já são. Precisam ser para descobrir onde comer, para onde ir”, responde o senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Na lavanderia&lt;/strong&gt;, Flávio dos Santos é um dos 80 funcionários da casa. Faz parte de um grupo de pessoas que se renova mensalmente. São internos que recebem salário para auxiliar na manutenção, lavagem de roupa, limpeza de banheiros. Como mais da metade dos companheiros da casa, ele saiu de um outro estado – Paraná – para tentar a sorte em São Paulo. Trabalhou na construção civil, rodou o interior, veio para a capital paulista e há um mês vive na instituição, após perder o emprego. Caminha com uma identificação no peito que mostra o número do beliche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossa última parada é uma pequena capela, no fundo do terreno. Paladino se ajoelha e faz o sinal da cruz. Por respeito, abaixo levemente o tronco e cruzo a mão direita no peito, conforme me ensinaram no catecismo.“Está vendo a porta do sacrário?”, pergunta. “Antes era utilizada num forno em que forjavam armas e agora guarda o corpo de Cristo”. Como a Igreja Católica, a entidade que preside é uma sacola de metáforas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São quatro e meia e eu me preparo para deixar o lugar. Diante do Arsenal, uma nova fila se forma, agora, com pessoas que chegaram para passar a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Expedito Santos tem 45 anos e é o primeiro. Carrega um sorriso no rosto e uma sacola de plástico com objetos pessoais na mão direita. Sua história é como a de muitos outros. Deixou Piauí, o estado natal, para arrumar trabalho e foi parar na cidade paulista de Embu das Artes, onde trabalhou como carregador. Foi ainda estivador no Porto de Santos, antes de chegar à cidade de São Paulo. Mais um desempregado, mais um a morar na rua. No dia 3 de setembro completou quatro meses de instituição. Os sonhos do homem divorciado que deixou uma filha no norte são arrumar um trabalho fixo, ao invés dos bicos de carga e descarga, e alugar um quartinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O problema, sabe, é a idade e a falta da escola”, aponta o piauiense. Quais serão os sonhos dos estudantes do bar em frente&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-2304725150935062697?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/2304725150935062697/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=2304725150935062697' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/2304725150935062697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/2304725150935062697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2007/08/oraes-e-aes-luiz-carvalho-durante.html' title=''/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/RrVkpc3FJlI/AAAAAAAAABU/rRNxdnUTxNE/s72-c/Materia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-7622615443141110761</id><published>2007-07-27T21:51:00.000-03:00</published><updated>2008-11-15T05:32:38.461-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/RqqWyM3FJgI/AAAAAAAAAAs/0xybZEoZ-wU/s1600-h/transamerica.JPG"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5092048117885642242" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/RqqWyM3FJgI/AAAAAAAAAAs/0xybZEoZ-wU/s320/transamerica.JPG" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Quinta trans no coração da Cidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Luiz Carvalho&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Faz frio. Muito frio. Quase neva na Boca do Lixo, onde São Paulo abriga parcela do público que não tolera: mendigos, prostitutas, homossexuais, travestis. Não sei o que veio primeiro, se o pseudônimo do centro velho da cidade ou os moradores, mas o hilário é observar que o gueto, conforme definiu uma travesti chamada Renata –que reencontrei nessa quinta– personifica o termo liberdade de expressão. O que é afronta? Um casal de mulheres com o rosto colado, mãos unidas, a observar o cardápio do bar Arco-Íris? Dois rapazes se beijando, encostados na porta de ferro de uma loja fechada? Nós não estamos preparados para a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, seis e quarenta e cinco não são seis e quarenta e cinco para os paulistanos. Chego pontualmente vinte minutos atrasado no Tele-Pizza&lt;br /&gt;Esfiharia, lanchonete de nome tão abrangente quanto o público que atende. Na primeira vez que estive alí para conhecer o Quintas-Trans, encontro quinzenal de transexuais, fiquei impressionado com a naturalidade que nos atenderam. Naquela ocasião, o tema era inclusão social e os participantes não tentavam disfarçar a identidade. Muito pelo contrário, pareciam se orgulhar do caminho que trilharam para chegar até aquela mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, eu percebi o motivo do bom atendimento, ao observar, por meio de um espelho no outro lado do salão, um relógio pendurado na parede com as cores do arco-íris. Uma bandeirinha colorida sobre o computador no qual Cristina, uma das donas do lugar registra os pedidos serve para não deixar dúvidas de onde estamos. A outra proprietária é Patrícia, responsável por fazer o papel de garçonete. Elas compraram o ponto há três anos porque queriam uma casa para atender gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais. Conseguiram atingir o objetivo: o lugar é homogêneo e atrai desde professores filiados ao sindicato, que fica próximo, na Praça da República, até membros de Igrejas GLBTT da redondeza, além de famílias como a sua e a minha, com crianças e vovós. Cristina e Patrícia completam 12 anos juntas em outubro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Somos em cinco nessa noite&lt;/strong&gt; e Alessandra Saraiva, transexual feminina em transição e uma das coordenadoras da Secretaria de Travestis e Transexuais da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, conduz o debate. Cabelos negros e longos, há 20 dias ela fez lipoescultura para tornear os quadris e implantou duas próteses de silicone, num total de 450 ml. Esse tempo é foda."Ela é colocada embaixo do músculo e como no frio os nervos se contraem involuntariamente, eu sinto um pouco de dor".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Casada, pós-graduada em Design, Marketing e Propaganda, foi a protagonista da minha Tese de Conclusão de Curso (TCC). Em nossos raros encontros, nunca comentei sobre o resultado final da entrevista que fiz há um ano. Ficaria difícil explicar como é possível apresentar um livro-reportagem com apenas duas personagens (a outra foi Paulo Mariante, do Identidade, grupo GLBTT de Campinas). Felizmente, a boa reputação de quatro anos na Universidade Santo Amaro serviram para amenizar as críticas dos jurados da banca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ar professoral, Alessandra contém a ansiedade de Gil, no documento, Givanilde, transexual masculino e militante do movimento de moradia. Ele tenta aguardar sua vez para falar entre um cigarro e um gole de cerveja. Trata com carinho Cinthia, no RG, Edílson, transexual feminina com estilo de estudante esforçada e apaixonada por informática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao meu lado, Renata, aquela travesti franzina e articulada sobre quem já comentei no primeiro parágrafo, não lembra nem um pouco os estereótipos dos programas de risadas gravadas. Na outra ponta da mesa, David, um cara que trabalha na parte administrativa da Associação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No exato momento em que Barry White aparece na tela da TV da lanchonete a dinâmica começa. O tema de hoje é auto-estima. Primeiro, Alessandra pede para nos apresentarmos, dizermos como chegamos ao Quintas-Trans e o que nos faz feliz. Renata começa com o pé-direito: diz que soube dos encontros através do site e se sente bem quando fuma um baseado e faz palavras cruzadas. Já Gil, conheceu a APOGLBT quando caminhava no centro com uma amiga casada com um bombeiro e foi abordada por militantes. Começou a freqüentar, estreitar laços, se tornou parte do Fórum Municipal de Travestis, Transexuais e Transgêneros e com o tempo soube das reuniões. É feliz quando está com pessoas bacanas, como nós. Não me lembro como Cinthia chegou até ali, mas sei que ela curte compartilhar lembranças e andar de ônibus. David tem uma história parecida com a de Gil. Também encontrou um ex-presidente da entidade, quando este fazia panfletagem na Rua Vieira de Carvalho (um dos principais redutos GLBTT em São Paulo). Como fazê-lo feliz? Não sei se entendi errado, mas fiquei com vergonha de perguntar. Eu ouvi ele dizer que basta um fist fucking, mas não tenho certeza. Antes que você vá procurar no Google, essa é uma prática em que um dos parceiros enfia mão e punho no ânus do outro. Aguarde errata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gil comenta alguma coisa e eu perco a parte em que Alessandra explica como chegou à Associação, mas ela diz que se sente feliz ao lado do marido e quando sair dali ficará com ele. Só para você saber, eu disse que descobri a reunião quando pesquisava para o meu TCC e o sorriso da minha filha de um ano e três meses é o que me deixa mais feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vendedores de flores e de amendoins&lt;/strong&gt; vão e vem, enquanto surgem discussões sobre a luta para alterar o nome nos documentos. Renata acredita que a construção da auto-estima é mais difícil para pessoas que sofrem com o julgamento negativo a maior parte do tempo."No meu caso foi um processo solitário até encontrar outras como eu. Muitas vezes a baixa auto-estima está relacionada com falta de informação".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estamos sempre vulneráveis e durante meses eu acordava com espasmos porque tinha medo de sair de casa. Tinha pavor de dormir porque ia acordar mal. Isso só mudou quando passei a dizer para mim mesma, ao acordar, que não iria ser agredida", comenta Alessandra Saraiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última parte da dinâmica, ela distribui um teste de auto-avaliação. São três folhas azuis com perguntas como “eu me sinto bem com as expressões do meu rosto, com meus modos, maneira de falar e de me mover?”. Devo assinalar de zero a quatro. O zero equivale a “nem um pouco” e o quatro a “totalmente”. Nessa eu coloquei um, que corresponde a “um pouco”. No final atingi 35 pontos. Estou no nível, “beleza, não chega a ser uma bosta, mas precisa melhorar isso aí”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por volta das dez da noite, minhas pernas estão quase congeladas e eu mal consigo evitar tremer. O encontro está para acabar, mas ainda dá tempo de uma observação. "Antes de sermos militantes, somos pessoas sujeitas a preconceitos que carregamos desde a infância. O fato de estarmos no movimento não significa que somos resolvidas. Todo mundo é maluco, não dá para confiar 100% nas pessoas e aguardar a aprovação dos outros." Assim falou Renata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma noite muito agradável e talvez não tenha competência para lhe fazer acreditar que Cinthia, Gil, Renata, David e Alessandra são pessoas que passariam impunes na multidão, sem chamar atenção da cidade de prédios com vista para outros prédios cinza. Ao menos até mostrarem o que pensam e em que acreditam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Links:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quintas Trans: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.quintastrans.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;www.quintastrans.blogspot.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;Telepizza-Esfiharia: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.telepizzalaranjao.com.br/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;http://www.telepizzalaranjao.com.br/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-7622615443141110761?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/7622615443141110761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=7622615443141110761' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/7622615443141110761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/7622615443141110761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2007/07/quinta-transexual-no-corao-da-cidade.html' title=''/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/RqqWyM3FJgI/AAAAAAAAAAs/0xybZEoZ-wU/s72-c/transamerica.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-7125820304138762725</id><published>2007-07-20T23:50:00.000-03:00</published><updated>2008-11-15T05:32:38.776-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/RqE8pB4MpjI/AAAAAAAAAAU/a2ueQJk6f74/s1600-h/conf.brasilxitÃ¡lia+010.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5089415729481819698" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/RqE8pB4MpjI/AAAAAAAAAAU/a2ueQJk6f74/s320/conf.brasilxit%C3%A1lia+010.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Uma tonelada e meia&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Luiz Carvalho&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexsander Whitaker Santos é atleta profissional, tem 37 anos e integra uma delegação de halterofilistas que estará nos jogos do Rio de Janeiro. Porém, ele entra em cena somente a partir do início do mês que vem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tarde de sábado, ele bate papo, ao lado do instrutor, Antônio Augusto Ferreira Júnior, com um aluno da academia Projeto A4, na zona norte de São Paulo, onde treina diariamente. Em fase final de preparação, durante três dias Alex faz exercícios específicos de levantamento de peso e nos demais, condicionamento físico para disputar o Parapanamericanos, que começa no dia 12 de agosto e termina no dia 19.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vestido com uma camiseta branca onde se lê, “limite é um lugar que não existe”, bermuda bege, um par de tênis azul e uma cadeira de rodas, o bi campeão mundial, hepta campeão brasileiro entre atletas com deficiência, bi brasileiro em disputa que inclui não deficientes e recordista sul americano também entre não deficientes, começa a contar sua história. No espaço de 2 mil metros quadrados ele lembra do dia 29 de junho de 1993, quando ao estacionar o carro diante da Columbia, boate paulistana que não existe mais, foi vítima de um assalto. Durante a confusão, foi alvejado por dois tiros, que se alojaram na espinha e lhe tiraram os movimentos dos membros inferiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alex ficou internado durante três meses e após esse período começou a fazer reabilitação na universidade onde cursava o terceiro ano de nutrição. Passou a viver uma situação irônica: por um lado servia de modelo para os alunos de fisioterapia e neurologia, mas por outro enfrentava as dificuldades de um ambiente inadequado para sua condição. “Apesar de existir uma clínica e médicos disponíveis, os pacientes não conseguiam entrar sem ajuda e muito menos utilizar o ambiente da escola, que não possuía rampas de acesso e banheiros adaptados.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A musculação surgiu&lt;/strong&gt; como complemento da natação, parte da fisioterapia que os doutores lhe recomendaram. “Soube, por meio de amigos, que existiam competições para pessoas com deficiências físicas. Como não nadava tão bem, resolvi participar de um campeonato que também tinha halterofilismo e peguei o segundo lugar. Achei que o esporte poderia ser uma forma de competir também com pessoas que não tinham deficiência física e voltar à vida como era antes.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O atleta fala sobre o acidente e a recuperação sem qualquer traço de rancor. Não há nenhum sinal de angústia em suas palavras. Entre outros fatores, talvez, porque se trata de uma exceção, algo que ele mesmo reconhece. Com a ajuda dos pais conseguiu comprar um veículo adaptado para fugir do constrangimento de aguardar táxis que nunca paravam. “Os motoristas me evitavam porque tinham medo da cadeira rasgar o estofamento”. Também com ajuda da família conseguiu concluir a pós-graduação em nutrição esportiva, que lhe permite prestar consultoria para três academias no período da tarde, após os treinamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A amizade com Júnior começou em 1987&lt;/strong&gt;. O apoio do treinador desde os primeiros passos foi fundamental para a profissionalização. Coordenador da equipe Panamericana nacional de levantamento de peso, Antônio Júnior prepara outros dois halterofilistas que disputarão o Parapan e um grupo de cegos que participará do mundial desse tipo de deficiência, no Brasil, neste ano. Na academia que comprou há 10 anos, nenhum deles paga pela estrutura ou pelo trabalho do técnico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para a modalidade que Alexsander Santos escolheu disputar, as pernas são um empecilho&lt;/strong&gt;. “No paradesporto, as categorias do halterofilismo só se distinguem por peso. O atleta paraplégico disputa com outros que tem os membros inferiores amputados ou seqüela de poliomielite. Na hora da pesagem, como tenho uma deficiência adquirida, minhas pernas jogam contra”. Assim, enquanto os outros contam apenas com o peso do tronco e dos braços, Alex carrega uma ‘sobrecarga’ que não utiliza e limita a possibilidade de aumento de massa muscular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante dessa dificuldade, assim como acontece com muitos lutadores de boxe, ele teve que perder mais de 20kg para se enquadrar numa categoria com marcas próximas a seu rendimento. Isso quase lhe causou um problema na Paraolimpíada de Sydney, Austrália, em 2000, a primeira que disputou. A dois meses do inicío da prova, eis que o ísquio, um dos ossos que formam o quadril, perfurou sua pele. Como não tem sensibilidade na região, só percebeu o ferimento quando estava num grau avançado de infecção. Entre a cirurgia que precisou enfrentar e a recuperação, ficou parado por 45 dias e sua marca caiu 70 kg. Mesmo com um mês de treino não foi possível voltar à forma ideal. Ainda assim, levantou 185kg, contra 200 do primeiro colocado, patamar que o brasileiro atingia antes da operação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quatorze anos após o assalto&lt;/strong&gt;, o halterofilista avalia que algumas políticas públicas, como a lei de cotas, que obriga a contratação de trabalhadores com deficiência de acordo com o número de funcionários, representa avanço, mas ainda é superficial. “Não adianta contratar se não houver suporte, porque muitos deficientes não têm qualificação. Boa parte de nós não puderam não puderam se preparar diante de problemas como a dificuldade de locomoção. A visão que as pessoas tem dos deficientes físicos mudou, mas o acesso aos espaços públicos ainda é ruim”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consciente sobre o papel social, exige apenas o que lhe é de direito. “Sou cobrado igual a você em todos os aspectos, pago os mesmos impostos. Então porque a dificuldade em entrar num restaurante?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um mês Alex mora sozinho, após ter se separado da mulher com quem viveu durante 12 anos e a quem conheceu após o acidente. Sua rotina começa às 07h30 da manhã e termina por volta das 18h30, horário em que nosso papo termina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pergunto ao treinador o que falta aos atletas do Parapanamericano&lt;/strong&gt; e ele responde, sem titubear: “mídia”. “Como os meios de comunicação no Brasil ignoram as Paraolimpíadas não existem patrocinadores. Apenas as Loterias da Caixa bancam todo o evento e assim funciona com todas as categorias. Em 2006, foram R$ 3 milhões para repartir entre todos os competidores nacionais do setor.” Lembre-se disso quando assistir uma propaganda sobre responsabilidade social do banco onde tem conta, nobre leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por meio do programa Bolsa Atleta, Alex recebe R$ 2.500 mensais, num contrato que vai até a Olimpíada de Pequim e exige exclusividade com o governo federal. Porém, isso só foi possível graças ao 4.º lugar em Sydney. Segundo Antônio Júnior, o valor é razoável para disputar o circuito nacional, mas insuficiente para disputar campeonatos internacionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de ir embora, observo o processo que Alexsander Santos repete todos os dias. O técnico conduz a cadeira de rodas até a beira de um colchonete azul sobre uma plataforma. O atleta, sem ajuda do amigo, apóia as mãos espalmadas no encosto da cadeira e se move para o colchonete. Lá, ele fica estirado e começa a aquecer os braços, antes de iniciar uma das 15 séries de levantamento de peso. No final das sessões, ele ergue o equivalente a uma tonelada e meia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 23 dias ele repetirá estes movimentos, porém, só terá três chances, em dois minutos para mostrar o resultado de mais de uma década de luta. &lt;strong&gt;Certamente, você não verá isso na Globo.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-7125820304138762725?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/7125820304138762725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=7125820304138762725' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/7125820304138762725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/7125820304138762725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2007/07/uma-tonelada-e-meia-luiz-carvalho.html' title=''/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/RqE8pB4MpjI/AAAAAAAAAAU/a2ueQJk6f74/s72-c/conf.brasilxit%C3%A1lia+010.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7047176622610350969.post-7164011421597943490</id><published>2007-07-06T20:33:00.000-03:00</published><updated>2008-11-15T05:32:38.968-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Ro7VUZsEJSI/AAAAAAAAAAM/yTht43RcHT0/s1600-h/blog.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5084235575817676066" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Ro7VUZsEJSI/AAAAAAAAAAM/yTht43RcHT0/s320/blog.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Crime e adoção na sede da OAB&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Luiz Carvalho&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:85%;"&gt;Diante da catedral católica, um pastor protestante prega para alguém que eu não consigo ver. Na esquina da Praça da Sé com a João Mendes, cinco prostitutas esperam clientes, encostadas nas portas de vidro da agência do Banco do Brasil, camufladas pela banca de jornais. Meio envergonhado, vou e volto diante delas. Não há nada incomum, a não ser o calor de uma atípica quarta-feira (04) de inverno paulistano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No salão nobre da sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Secção São Paulo, número 385 da Sé, Margarette Garcia e Heveraldo Galvão apontam ações de combate à homofobia e tratam da adoção em relações homoafetivas. Ela comanda a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi/DPP/DHPP). Ele é advogado e mestre em Direitos Coletivos. Ganhou notoriedade após defender a adoção da menina Theodora, de cinco anos, em dezembro de 2006, por Júnior de Carvalho, 46, e Vasco Pedro da Gama, 38. Pela primeira vez um casal homossexual masculino obteve a guarda de uma criança no Brasil. Apenas outros dois, formados por mulheres, conseguiram parecer favorável: um no Rio Grande do Sul e outro no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da delegada e do advogado, Cássio Silva, da Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual da Cidade de São Paulo (CADS), Márcia Melaré (vice-presidente da OAB SP), Marco Alvarenga (presidente da Comissão do Negro e de Assuntos Antidiscriminatórios da OAB SP), Cláudio Brandini (coordenador do Grupo de Diversidade da Comissão do Negro e de Assuntos Antidiscriminatórios da OAB SP) e Joseph Cruz (representante no Brasil da Gay and Lesbian International Sports Association – Glisa) compõem a mesa, que inicia os debates por volta das 19h30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cidadania&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;“A sociedade ainda não percebeu a importância de uma legislação específica para tratar dos direitos dos homossexuais. A rejeição em aceitar a diferença significa que a opressão contra a comunidade Gay, Lésbica, Bissexual, Travesti e Transgênero (GLBTT) ainda está presente em muitos lugares do mundo”, afirma Alvarenga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, para Heveraldo Galvão, medidas como a aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLC) 122/2006, que criminaliza a homofobia e atualmente tramita no Senado, não é suficiente para diminuir a violência. “Não adianta fazer lei se a população não está preparada para ela. Temos que organizar um movimento de cidadania e estimular a reflexão sobre o preconceito que carregamos dentro de nós”, sugere.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de apresentar imagens de roupas, tatuagens e armas utilizadas por gangues que praticam crimes de intolerância, Margerette Garcia observa “que os ataques homofóbicos e racistas são planejados para que a vítima sofra muito.” O próprio Decradi nasceu em 2000, após o assassinato de Édson Neris da Silva, espancado na Praça da República, região central de São Paulo, quando andava de mãos dadas com o namorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A delegada confirma ainda a sensação de resistência do Poder Judiciário para decretar prisão por crimes de intolerância. “Lutamos também contra o preconceito institucional”, reconhece. Questionada sobre a violência dos policiais contra homossexuais, Margarette saiu em defesa da corporação. “Nós vivemos um momento de reaproximação com o segmento GLBTT. Existe a tentativa de preparação, temos melhorado currículo, mas existem coisas que precisamos mudar na sociedade, como um todo, porque é dentro dela que buscamos o policial. Só não devemos esquecer que em São Paulo ele enfrenta o perigo, lida com a pressão e ainda convive com uma situação econômica muito ruim”, pondera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Adoação&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Apesar de enaltecer a existência de uma ideologia homofóbica, que resulta em problemas como a discriminação profissional, Galvão destacou que ocorreram avanços na Legislação Brasileira. “A Lei municipal 9791, de Juiz de Fora, aprovada em 2000 serviu de base para a criação de outras que impoem sanções administrativas a estabelecimentos que praticam a discriminação por gênero. Dos 27 estados brasileiros, 13 tem legislação anti-homofobia. Em São Paulo, 80 municípios já adotaram mecanismos que tratam da discriminação em razão da orientação sexual”, ressaltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o advogado o sistema jurídico nacional permite a aceitação legal aos casais homossexuais. Teoricamente, basta que eles demonstrem condições como vida em comum, mútua assistência e capacidade para educação dos filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, o pequeno número de que conseguiu preencher os pré-requisitos das varas Civis, de Direito Familiar ou da Infância e Juventude mostram que ainda é difícil enfrentar os julgamentos que os membros do Judiciário realizam com base em valores pessoais. Uma prova disso foi o próprio caso da menina Theodora. Em 1998, um juiz negou o pedido a Júnior de Carvalho e Vasco Pedro da Gama por classificar a relação como anormal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O advogado sublinhou que os artigos 41 e 43 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) dão garantias aos casais do mesmo sexo. O primeiro atribui a condição de filho ao adotado, independente de qualquer vínculo com pais e parentes e o segundo determina que a adoção pode ser deferida quando apresentar reais vantagens para o adotando e fundar-se em motivos legítimos. “Negar a adoção pelo fato das pessoas serem diferentes do padrão habitual e conservador é uma prova de discriminação”, finalizou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7047176622610350969-7164011421597943490?l=anonimatosa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://anonimatosa.blogspot.com/feeds/7164011421597943490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7047176622610350969&amp;postID=7164011421597943490' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/7164011421597943490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7047176622610350969/posts/default/7164011421597943490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://anonimatosa.blogspot.com/2007/07/crime-e-adoo-na-sede-da-oab-luiz.html' title=''/><author><name>Luiz Alberto Carvalho, 30, jornalista</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689650067858012701</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Sd4npR3IW-I/AAAAAAAAAx0/Eixn9wg42uA/S220/Perfil+2.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_PjaftSvOTmY/Ro7VUZsEJSI/AAAAAAAAAAM/yTht43RcHT0/s72-c/blog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
